Mundo de ficçãoIniciar sessãoDois milhões de dólares. Um contrato implacável. Dois irmãos e um coração destruído. Para salvar a vida de seu pai com uma cirurgia cardíaca urgente de dois milhões de dólares, Cecília Mendes aceita uma proposta desesperada e assina um contrato implacável: tornar-se a esposa de fachada de Alexander Vilar, o CEO mais frio, calculista e temido do país, por exatamente vinte e quatro meses. A regra de ouro estabelecida por ele é clara e inegociável: é estritamente proibido qualquer envolvimento emocional. No entanto, a estabilidade desse perigoso acordo de negócios desmorona completamente quando o irmão mais novo de Alexander, Rafael Vilar, regressa inesperadamente de Paris. Rafael é o primeiro grande amor de Cecília, o homem que quebrou o seu coração três anos antes ao escolher o dinheiro da família em vez dela, e que agora está obcecado em reconquistá-la a qualquer custo e disposto a usar os segredos do passado como arma. Presa na mesma mansão, Cecília vê-se encurralada. De um lado, um marido de gelo, cuja possessividade instintiva começa a despertar de forma letal a cada vez que outro homem olha para ela. Do outro, um antigo amor sedutor e manipulador que fará de tudo para tê-la de volta na sua cama. No meio de uma perigosa teia de intrigas, desejo e rivalidades familiares da alta sociedade, Cecília terá que decidir o seu destino. Afinal, o que você faria quando a única forma de salvar a sua família é entregar a sua alma ao diabo e prender dois corações numa guerra onde não há vencedores?
Ler maisPOV Cecília Mendes
O som rítmico e fraco do monitor cardíaco era a única coisa que quebrava o silêncio opressivo do quarto de UTI. Apertei a mão fria do meu pai entre as minhas, sentindo o peso do mundo esmagar os meus ombros e a garganta fechar com o choro que eu me recusava a soltar.
— Quarenta e oito horas, Cecília — o médico havia dito mais cedo, com um olhar de pena que me embrulhou o estômago. — Se os dois milhões de dólares não estiverem na conta do hospital até lá, não poderemos realizar a cirurgia. O coração dele não vai aguentar mais que isso.
Dois milhões. Uma quantia impossível para uma mulher que teve até a última moeda da poupança roubada pelo ex-noivo golpista. No meu desespero cego, a minha única esperança foi ligar para Arthur, um grande amigo dos tempos da faculdade que agora trabalhava como advogado corporativo de alto escalão na Vilar Corp. Implorei, chorando, para que ele entrasse com uma liminar, uma ordem judicial, qualquer brecha na lei que obrigasse o hospital a nos dar mais tempo.
Arthur foi honesto e me disse que a justiça seria lenta demais para salvar o meu pai. Mas ele prometeu tentar algo. Ele levou o meu caso, o meu desespero, até o chefe dele.
E foi assim que eu vim parar aqui.
O ar no 50º andar do edifício Vilar Corp cheirava a poder absoluto, café expresso e notas amadeiradas de um perfume absurdamente caro. Eu estava sentada na ponta de uma cadeira de couro italiano, com as mãos trêmulas unidas sobre o colo, tentando controlar a minha respiração.
Do outro lado da imponente mesa de ébano, como um rei a observar um súdito, estava Alexander Vilar.
Ele era a definição exata de perigo vestido em um terno sob medida. O CEO mais implacável do país possuía olhos tão escuros e frios que pareciam absorver toda a luz da sala. O maxilar trancado e a postura rígida deixavam claro que, para ele, eu não era uma pessoa em luto; eu era apenas um negócio incrivelmente conveniente.
— O Arthur me relatou a sua situação com o hospital, Srta. Mendes. E, por uma feliz coincidência, eu também tenho um problema que precisa de uma solução drástica e imediata — a voz grave de Alexander reverberou, fazendo-me prender a respiração.
Ele deslizou uma pasta preta de couro sobre a mesa impecável.
— A minha mãe está determinada a forçar um casamento entre mim e Vanessa Bianchi para consolidar alianças no conselho da empresa. Eu não tolero que controlem a minha vida, e muito menos que tentem empurrar uma herdeira interesseira para a minha cama. Preciso de um escudo. Uma esposa de fachada que não faça exigências e que desapareça silenciosamente quando o prazo acabar.
Abri a pasta, as minhas mãos tremendo levemente. No topo da página de rosto, letras garrafais gritavam: CONTRATO MATRIMONIAL.
— Você está desesperada, endividada e precisa de dois milhões até amanhã — ele continuou, o tom calculista cortando o ar. — Eu pago a cirurgia do seu pai hoje. Neste exato minuto. Em troca, você torna-se a Sra. Vilar por vinte e quatro meses.
Baixei os olhos para as cláusulas. As regras eram draconianas. Moraríamos na mesma mansão, em suítes separadas. Eu deveria agir com absoluta devoção em eventos públicos. E, a mais destacada de todas: Artigo 4 - É estritamente proibido o envolvimento emocional. A quebra desta cláusula anulará o bônus final de cinco milhões de reais.
Amor. Apenas a palavra já deixava um gosto amargo e metálico na minha boca. Lembrei-me do homem que amei com toda a minha alma há três anos, o mesmo que me abandonou covardemente no aeroporto para escolher o conforto e o status da família rica. A dor ainda pulsava como uma ferida aberta no fundo do meu peito.
Apertei os punhos sobre o colo. Os rastros que você deixou vão me impedir de confiar em alguém de novo.
Eu não corria o risco de me apaixonar por aquele pedaço de gelo arrogante sentado à minha frente. As decepções me ensinaram que não há espaço para corações frágeis quando se trata de sobrevivência.
— Tem uma caneta? — a minha voz saiu muito mais firme do que eu esperava, ecoando no silêncio do escritório.
Alexander arqueou uma sobrancelha, um brilho quase imperceptível de aprovação cruzando o seu olhar escuro. Ele estendeu uma caneta-tinteiro prateada.
Quando fui pegá-la, os meus dedos roçaram acidentalmente nos dele. Uma descarga elétrica estática, quente, violenta e inesperada, subiu pelo meu braço. Arfei baixinho e puxei a mão instintivamente. Alexander não recuou. Ele continuou a me encarar, os olhos escurecendo uma fração de tom, o peito subindo e descendo em uma respiração levemente mais pesada antes da máscara de frieza voltar ao lugar.
Ignorando o calor repentino que inundou o meu rosto, assinei o meu nome na linha pontilhada.
Cecília Mendes .
O contrato estava selado. Eu havia acabado de vender a minha vida.
Sem demonstrar emoção, Alexander recolheu o documento. Ele apertou um botão no telefone da mesa e foi direto:
— Vicente, faça a transferência de dois milhões para o Hospital Sírio-Libanês. Quero a cirurgia do Sr. Mendes agendada para hoje.
O alívio que me atingiu foi tão grande que me senti tonta. O meu pai estava salvo.
— O meu motorista vai buscar as suas coisas no seu apartamento amanhã cedo — ele anunciou, levantando-se em toda a sua altura intimidadora e ajeitando o paletó.
— Espere — levantei-me num salto, ainda atordoada com a rapidez de tudo. — Amanhã? Para onde eu vou? Nós não precisamos alinhar uma história para a mídia primeiro?
Alexander caminhou até à porta, parou com a mão na maçaneta e olhou por cima do ombro. Um sorriso cínico e letal curvou os seus lábios, fazendo o sangue gelar nas minhas veias.
— Não há tempo para ensaios, esposa. O jantar de noivado com a minha família começa em duas horas. Aconselho que vá preparada, porque a minha mãe vai tentar devorar você viva...
POV Cecília MendesO som da água caindo no imenso box de mármore do banheiro foi o meu único sinal.Eu tinha apenas alguns minutos. O meu coração estava batendo tão forte que parecia prestes a rasgar o meu peito. Alexander Vilar era obcecado por controle e não demoraria muito naquele banho. Se ele saísse e não me encontrasse na cama, o inferno desabaria sobre a Mansão Vilar. Mas a ideia de Rafael embarcar num voo para Paris amanhã de manhã, completamente destruído, era um peso que eu não conseguia suportar.Vesti um roupão por cima da camisola de seda preta com as mãos tremendo, destranquei a pesada porta do quarto em absoluto silêncio e deslizei para o corredor escuro.Eu sabia qual era a suíte de hóspedes dele. Caminhei apressada, pisando descalça no tapete espesso para abafar qualquer ruído. A porta do quarto de Rafael estava entreaberta, uma fresta de luz amarela escapando para o corredor.Empurrei a porta e entrei.Ele estava de costas, jogando camisas de qualquer jeito dentro de
POV Alexander VilarO som da respiração ofegante de Rafael falhando no corredor da loja foi a melodia mais doce que escutei nos últimos anos. O meu irmão sempre foi um fraco. E ver a alma dele desmoronar enquanto eu segurava a mulher que ele não teve coragem de assumir foi a prova definitiva de que eu era o dono absoluto do tabuleiro.Olhei para baixo. Cecília tremia contra o meu peito. A respiração dela estava descompassada, batendo violentamente contra o meu terno impecável. A pele pálida e macia dela, contrastando com a renda vermelha, era uma visão que testava o último fio do meu autocontrole. Eu a queria. Não apenas como um escudo conveniente contra as manipulações da minha mãe, mas como algo que me pertencia inteiramente.Recuei um passo, libertando-a do meu aperto possessivo, mas não recuei o meu olhar daquele corpo.— Tire isso — ordenei, a voz rouca e baixa, soando quase como um rosnado no silêncio da pequena cabine. — Vista as suas roupas. Nós estamos voltando para casa.Vir
POV Cecília MendesNós estávamos prestes a sair. Rafael já caminhava em direção à porta da maison, as mãos cheias de sacolas das grifes mais caras de Manhattan, a cabeça baixa como um prisioneiro caminhando para o corredor da morte. Eu respirei fundo, agradecendo intimamente por aquela tortura estar acabando.Mas, de repente, Alexander parou.Os olhos azuis e gélidos dele fixaram-se num manequim no fundo da loja, iluminado por um foco de luz solitário. O conjunto exposto era de um vermelho escuro, quase cor de sangue, feito de uma renda tão fina e provocante que deixava pouquíssimo para a imaginação.Ele caminhou até a peça, tocou o tecido com a ponta dos dedos e virou o rosto para mim.— Traga o tamanho dela — ordenou para a vendedora atônita.— Alexander, nós já compramos o suficiente. Por favor... — sussurrei, sentindo o meu rosto queimar. O olhar do meu marido desceu pelos meus lábios, avaliando a minha resistência.Ele diminuiu a distância entre nós, parando tão perto que o calor
POV Cecília MendesA luz da manhã de sábado invadiu o quarto escuro, mas o calor opressivo e reconfortante do corpo de Alexander já não estava ao meu lado. O lado esquerdo da cama estava vazio, com os lençóis levemente bagunçados, mas o cheiro amadeirado e de menta dele ainda impregnava os travesseiros. Respirei fundo, sentindo o peso da nova realidade esmagar qualquer ilusão de fuga. Eu estava dormindo na cova do leão, e o pior de tudo: eu havia dormido a noite inteira sem um único pesadelo, protegida pelo braço possessivo do meu carcereiro.Levantei-me, vesti uma roupa sóbria e o motorista levou-me até o hospital. A visita foi rápida e estritamente monitorada. Ver o meu pai respirando com mais facilidade, com a cor voltando lentamente ao rosto pálido dele, foi a injeção de força de que eu precisava. O sacrifício de me tornar a Sra. Vilar valia cada segundo daquele inferno psicológico.Quando saí pelas portas automáticas do hospital, a Range Rover blindada da família já me aguardava.
Último capítulo