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O Preço de Ser a Sra. Vilar: Casada com o Irmão do Meu Ex
O Preço de Ser a Sra. Vilar: Casada com o Irmão do Meu Ex
Por: Asya Martins
Capítulo 1 — O Preço da Vida e o Contrato com o Diabo

POV Cecília Mendes

O som rítmico e fraco do monitor cardíaco era a única coisa que quebrava o silêncio opressivo do quarto de UTI. Apertei a mão fria do meu pai entre as minhas, sentindo o peso do mundo esmagar os meus ombros e a garganta fechar com o choro que eu me recusava a soltar.

— Quarenta e oito horas, Cecília — o médico havia dito mais cedo, com um olhar de pena que me embrulhou o estômago. — Se os dois milhões de dólares não estiverem na conta do hospital até lá, não poderemos realizar a cirurgia. O coração dele não vai aguentar mais que isso.

Dois milhões. Uma quantia impossível para uma mulher que teve até a última moeda da poupança roubada pelo ex-noivo golpista. No meu desespero cego, a minha única esperança foi ligar para Arthur, um grande amigo dos tempos da faculdade que agora trabalhava como advogado corporativo de alto escalão na Vilar Corp. Implorei, chorando, para que ele entrasse com uma liminar, uma ordem judicial, qualquer brecha na lei que obrigasse o hospital a nos dar mais tempo.

Arthur foi honesto e me disse que a justiça seria lenta demais para salvar o meu pai. Mas ele prometeu tentar algo. Ele levou o meu caso, o meu desespero, até o chefe dele.

E foi assim que eu vim parar aqui.

O ar no 50º andar do edifício Vilar Corp cheirava a poder absoluto, café expresso e notas amadeiradas de um perfume absurdamente caro. Eu estava sentada na ponta de uma cadeira de couro italiano, com as mãos trêmulas unidas sobre o colo, tentando controlar a minha respiração.

Do outro lado da imponente mesa de ébano, como um rei a observar um súdito, estava Alexander Vilar.

Ele era a definição exata de perigo vestido em um terno sob medida. O CEO mais implacável do país possuía olhos tão escuros e frios que pareciam absorver toda a luz da sala. O maxilar trancado e a postura rígida deixavam claro que, para ele, eu não era uma pessoa em luto; eu era apenas um negócio incrivelmente conveniente.

— O Arthur me relatou a sua situação com o hospital, Srta. Mendes. E, por uma feliz coincidência, eu também tenho um problema que precisa de uma solução drástica e imediata — a voz grave de Alexander reverberou, fazendo-me prender a respiração.

Ele deslizou uma pasta preta de couro sobre a mesa impecável.

— A minha mãe está determinada a forçar um casamento entre mim e Vanessa Bianchi para consolidar alianças no conselho da empresa. Eu não tolero que controlem a minha vida, e muito menos que tentem empurrar uma herdeira interesseira para a minha cama. Preciso de um escudo. Uma esposa de fachada que não faça exigências e que desapareça silenciosamente quando o prazo acabar.

Abri a pasta, as minhas mãos tremendo levemente. No topo da página de rosto, letras garrafais gritavam: CONTRATO MATRIMONIAL.

— Você está desesperada, endividada e precisa de dois milhões até amanhã — ele continuou, o tom calculista cortando o ar. — Eu pago a cirurgia do seu pai hoje. Neste exato minuto. Em troca, você torna-se a Sra. Vilar por vinte e quatro meses.

Baixei os olhos para as cláusulas. As regras eram draconianas. Moraríamos na mesma mansão, em suítes separadas. Eu deveria agir com absoluta devoção em eventos públicos. E, a mais destacada de todas: Artigo 4 - É estritamente proibido o envolvimento emocional. A quebra desta cláusula anulará o bônus final de cinco milhões de reais.

Amor. Apenas a palavra já deixava um gosto amargo e metálico na minha boca. Lembrei-me do homem que amei com toda a minha alma há três anos, o mesmo que me abandonou covardemente no aeroporto para escolher o conforto e o status da família rica. A dor ainda pulsava como uma ferida aberta no fundo do meu peito.

Apertei os punhos sobre o colo. Os rastros que você deixou vão me impedir de confiar em alguém de novo.

Eu não corria o risco de me apaixonar por aquele pedaço de gelo arrogante sentado à minha frente. As decepções me ensinaram que não há espaço para corações frágeis quando se trata de sobrevivência.

— Tem uma caneta? — a minha voz saiu muito mais firme do que eu esperava, ecoando no silêncio do escritório.

Alexander arqueou uma sobrancelha, um brilho quase imperceptível de aprovação cruzando o seu olhar escuro. Ele estendeu uma caneta-tinteiro prateada.

Quando fui pegá-la, os meus dedos roçaram acidentalmente nos dele. Uma descarga elétrica estática, quente, violenta e inesperada, subiu pelo meu braço. Arfei baixinho e puxei a mão instintivamente. Alexander não recuou. Ele continuou a me encarar, os olhos escurecendo uma fração de tom, o peito subindo e descendo em uma respiração levemente mais pesada antes da máscara de frieza voltar ao lugar.

Ignorando o calor repentino que inundou o meu rosto, assinei o meu nome na linha pontilhada.

Cecília Mendes .

O contrato estava selado. Eu havia acabado de vender a minha vida.

Sem demonstrar emoção, Alexander recolheu o documento. Ele apertou um botão no telefone da mesa e foi direto:

— Vicente, faça a transferência de dois milhões para o Hospital Sírio-Libanês. Quero a cirurgia do Sr. Mendes agendada para hoje.

O alívio que me atingiu foi tão grande que me senti tonta. O meu pai estava salvo.

— O meu motorista vai buscar as suas coisas no seu apartamento amanhã cedo — ele anunciou, levantando-se em toda a sua altura intimidadora e ajeitando o paletó.

— Espere — levantei-me num salto, ainda atordoada com a rapidez de tudo. — Amanhã? Para onde eu vou? Nós não precisamos alinhar uma história para a mídia primeiro?

Alexander caminhou até à porta, parou com a mão na maçaneta e olhou por cima do ombro. Um sorriso cínico e letal curvou os seus lábios, fazendo o sangue gelar nas minhas veias.

— Não há tempo para ensaios, esposa. O jantar de noivado com a minha família começa em duas horas. Aconselho que vá preparada, porque a minha mãe vai tentar devorar você viva...

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