Início / Romance / O Preço de Ser a Sra. Vilar: Casada com o Irmão do Meu Ex / Capítulo 3 — Você se vendeu para o monstro da minha família só para se vingar de mim?!
Capítulo 3 — Você se vendeu para o monstro da minha família só para se vingar de mim?!

POV Cecília Mendes

O som do cristal estilhaçando no chão de mármore pareceu ecoar em câmera lenta.

Os olhos de Rafael, outrora cheios da arrogância típica de um jovem herdeiro, estavam agora arregalados, fixos em mim com um pavor cru e desmascarado. O silêncio na sala de jantar tornou-se denso, quase sufocante.

Senti os músculos de Alexander enrijecerem ao meu lado. A mão dele, que repousava na minha cintura, apertou-se com uma força que beirava a possessividade absoluta. Ele era um predador farejando o medo da presa, e os seus olhos escuros alternavam entre o rosto pálido do irmão e a minha respiração visivelmente descompassada.

— Pelos céus, Rafael! — Eleonora exclamou, quebrando o transe enquanto chamava um dos empregados com um estalar de dedos. — O que deu em você?

Rafael piscou repetidas vezes, parecendo lutar fisicamente para recuperar o fôlego. Ele engoliu em seco, forçando um sorriso frouxo que não alcançou os olhos.

— Perdão, mãe. O fuso horário de Paris... e a notícia de um casamento surpresa na família. Isso me pegou totalmente desprevenido — a voz dele saiu áspera, os olhos castanhos ainda voltando obsessivamente para o meu rosto. Ele estava desesperado por um sinal de reconhecimento, implorando em silêncio.

Eu não dei nenhum. Ergui o queixo e sustentei o olhar dele com a mais absoluta frieza que consegui reunir. Ele não passava de um fantasma.

— Um brinde seria mais apropriado do que destruir as taças de cristal da nossa mãe, Rafael — Alexander cortou, a voz grave e perigosa reverberando pelo cômodo. — Sente-se.

O jantar que se seguiu foi uma sessão de tortura psicológica. Rafael sentou-se exatamente de frente para mim. A cada garfada, eu sentia o olhar dele queimar a minha pele.

Vanessa Bianchi, inconformada com a perda do seu "trono", decidiu destilar o seu veneno.

— E me diga, Cecília... como você e o Alexander se conheceram tão rápido a ponto de casarem em segredo? — ela sorriu, girando a faca de prata entre os dedos. — O Alexander sempre foi tão focado nos negócios. Nunca o vi perder a cabeça por... amor.

O tom de desprezo na última palavra foi evidente. Antes que eu pudesse responder, Alexander inclinou-se ligeiramente na minha direção.

— Há mulheres que exigem o nosso tempo, Vanessa. E há mulheres que nos fazem perceber que o tempo sem elas é um desperdício — Alexander respondeu com uma suavidade letal. Ele olhou diretamente para mim, um brilho sombrio nos olhos. — Cecília é do tipo inesquecível. Quando decidi que ela seria minha, não vi motivos para esperar.

Do outro lado da mesa, os nós dos dedos de Rafael estavam brancos de tanto apertar os talheres.

Subitamente, uma vibração contínua na minha bolsa de mão quebrou a tensão. O ecrã do meu celular acendeu com o nome "Mãe".

O meu coração deu um salto. Ela devia estar no hospital.

— Com licença — pedi, a voz baixa. — Preciso atender. É sobre o meu pai.

Alexander assentiu levemente, libertando a minha cintura. — Vicente vai mostrar a você onde fica a sala íntima.

Segui o assistente até um cômodo isolado e luxuoso, fechando a pesada porta de madeira atrás de mim antes de atender a ligação.

— Cecília! — a voz da minha mãe estava embargada, um misto de histeria e choro. — Filha, o médico acabou de vir ao quarto! Ele disse que o hospital recebeu uma transferência. Dois milhões de dólares, Cecília! A cirurgia do seu pai foi agendada para amanhã de noite!

Fechei os olhos, encostando a testa na parede fria enquanto uma lágrima solitária de alívio escorria pelo meu rosto. Valeu a pena. Cada segundo neste inferno vai valer a pena.

— Graças a Deus, mãe. O pai vai ficar bem.

— Mas de onde saiu esse dinheiro, filha?! — ela exigiu saber, o pânico substituindo o alívio. — O banco bloqueou tudo depois que aquele seu ex-noivo canalha fugiu com as nossas economias! Não me diga que você fez uma loucura, Cecília! Você pegou dinheiro com agiotas?

— Não, mãe, por favor, acalme-se — murmurei, tentando manter a voz firme. — Eu... eu consegui um empréstimo.

— Que banco emprestaria dois milhões do dia para a noite?!

— Não foi um banco. — Respirei fundo, sabendo que não poderia esconder a verdade por muito tempo. — Mãe... eu me casei. Hoje de manhã. O meu marido pagou a cirurgia do pai.

Fez-se um silêncio sepulcral do outro lado da linha.

— Você se casou?! Com quem, pelo amor de Deus? Cecília, o que você fez?

— O nome dele é Alexander Vilar — eu disse, o nome parecendo estranho e poderoso na minha língua. — É um homem influente. É um acordo seguro, mãe. O papai está salvo, isso é a única coisa que importa. Vou visitá-los amanhã depois da cirurgia, prometo.

Desliguei antes que ela pudesse fazer mais perguntas, o peito subindo e descendo freneticamente. Fui até um espelho com moldura dourada na parede, enxuguei o rosto e endireitei a postura. Eu precisava voltar para a cova dos leões.

Mas, ao abrir a porta da sala íntima para retornar ao corredor mal iluminado, uma mão grande e desesperada disparou das sombras.

Dedos apertaram o meu braço com força, puxando-me para um recuo escondido debaixo da escadaria principal. O cheiro de colônia francesa que eu passei anos tentando esquecer invadiu as minhas narinas.

Fui prensada contra a parede. Rafael estava a centímetros de mim, com os olhos vermelhos e a respiração ofegante, como se tivesse corrido uma maratona.

— O que você acha que está fazendo, Cecília? — ele sussurrou, a voz carregada de dor e fúria contida. — O meu irmão?! Você se vendeu para o monstro da minha família só para se vingar de mim?!

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