O apartamento que Clara alugara desde a chegada ao país era aconchegante, mas sempre carregava um ar de transitoriedade. As malas encostadas no canto, a mobília básica, as paredes sem quadros. Era um espaço seguro, mas não era lar.
Foi Miguel quem trouxe o assunto, numa manhã ensolarada, enquanto preparava café na cozinha.
— Você já pensou em… ficar? — perguntou, mexendo a colher dentro da xícara. — Quero dizer, não como hóspede de passagem. Em ter algo só seu, um espaço que seja mais do que um