O vento soprava forte naquela manhã, agitando as cortinas do apartamento de Clara. A cidade costeira já lhe era familiar: as ruas estreitas, o cheiro de pão fresco vindo das padarias, o mar que se estendia diante dela como um velho conhecido. Já não se perdia nas vielas, já conhecia os rostos que passavam diariamente, e até era cumprimentada pelos comerciantes com um sorriso. Mas, mesmo em meio a essa sensação de pertencimento, algo ainda lhe pesava no peito: a dúvida sobre o que queria para si