A prisão tinha um ritmo implacável: o barulho das chaves girando nas celas, os gritos de guardas no corredor, o som metálico das grades que abriam e fechavam em intervalos previsíveis. Adriano Monteiro já começava a se acostumar com essa cadência amarga, mas cada noite em claro lhe lembrava que o mundo lá fora continuava girando sem ele.
Deitado na cama estreita, olhos fixos no teto manchado, ele remoía um pensamento que crescia como uma febre: Clara estava livre demais. O nome dela aparecia em