Helena
Há silêncios que gritam. E o de Felipe, naquela manhã, era ensurdecedor. Ele não me perguntou onde eu estava indo. Não disse “volte cedo”, nem tentou me impedir de sair. Apenas me observou, com aquele olhar de aço que parecia medir cada respiração minha, e deixou que eu fosse.
Mas o que me acompanhou até o elevador não foi o silêncio dele. Foi a sensação de que alguém estava me seguindo — de que, mesmo distante, Felipe ainda me mantinha sob vigilância.
E talvez fosse verdade.
O ar frio d