Felipe
Levo Helena direto para o meu apartamento. Não falo. Não penso. Não respiro direito. Depois do que aconteceu… depois do que quase aconteceu… meu corpo inteiro parece preso num estado primitivo entre raiva e necessidade. O tipo de estado que só existe quando você quase perde aquilo que não pode perder.
O elevador chega ao último andar. A porta abre. E eu a puxo comigo para dentro do meu mundo, do nosso mundo — o único lugar onde eu ainda acredito que posso manter o controle.
Assim que a porta do apartamento se fecha atrás de nós, Helena se vira para mim. Ela não diz nada. Apenas me olha — olhos ainda trêmulos, mas vivos, queimando aquele brilho que eu achei que tinha se apagado na sala do pânico. E isso… isso acaba comigo.
Eu avanço um passo.
Helena recua um.
— Felipe… — ela começa.
Mas minha respiração está quente demais, pesada demais, íntima demais para eu permitir palavras agora.
— Vem cá. — minha voz sai baixa, rouca, carregada da adrenalina que ainda corre. Não mando. Não