Helena
O vento da madrugada corta a pele como vidro fino. É um frio que não vem de fora — vem de dentro. Da parte de mim que ficou vazia quando deixei aquele bilhete sobre o travesseiro. As palavras eram poucas, mas cada uma delas doía como um adeus. Porque, no fundo, eu sabia: não existe linguagem suficiente para explicar o que se quebra quando o amor vira prisão.
Felipe construiu muros dentro de mim — de silêncio, de desejo, de medo. E eu, idiota, pintei flores sobre o concreto achando que