Felipe
A madrugada tem um cheiro particular quando a tensão está à solta — ferro, chuva contida e algo parecido com presságio. Eu não durmo. Não preencho silêncio nenhum. Eu apenas espero. E quando o telefone vibra na mesa… eu já sei.
Helena.
Mas não é ela.
É Eduardo.
— Felipe… — a voz dele está falhada, quase tensa demais pra ser casual. — Precisamos conversar. É sobre a Helena.
O gelo que sempre carreguei no peito volta. Aquele que achei ter derretido quando saí da prisão, quando tentei recom