Helena
A porta permanece fechada. E cada segundo a mais é um teste cruel para a minha sanidade. Meu coração bate alto demais, como se quisesse fugir do peito antes de mim. Minha mente ensaia finais que eu não quero viver. Perdas que eu não aceitaria suportar. Até que ouço chamarem pelo meu nome.
— Helena.
A voz. A única que atravessaria fumaça, fogo e caos sem se perder. A única que meu corpo reconhece como casa antes mesmo da razão conseguir alcançá-la. Tudo em mim reage de uma vez. Levanto abruptamente, a cadeira raspa no chão num som agressivo. Os seguranças se movimentam por instinto. Luísa me encara, tensa, pronta para me segurar se eu desmoronar.
— É ele — minha voz sai firme demais para quem esteve à beira do colapso segundos antes. — Abram.
A porta se abre.
Felipe entra.
E naquele exato instante eu sei: algo terminou.
Não é alívio imediato. Não é alegria. É uma certeza pesada. Ele está calmo demais. Não é a calma do controle ensaiado, nem da vitória comemorada. É outra coisa.