Helena
Horas depois, o mundo finalmente silencia. Estou no apartamento de Felipe, sob o jato quente do chuveiro, como se a água pudesse lavar não só o medo, mas os restos da guerra que ainda grudam na minha pele. O vapor sobe, embaça o espelho, envolve tudo numa névoa íntima. Meus músculos relaxam aos poucos, mas meu corpo ainda treme — não de frio, e sim de descarga. De tudo o que foi contido. Engolido. Sobrevivido. A água escorre pelos meus ombros, pelo colo, pelas curvas tensas que só agora