Quando a espera também mata

Helena

A espera não machuca o corpo — ela corrói a alma. É uma tortura limpa, quase elegante, porque não deixa marcas visíveis, só rachaduras internas. Cada segundo se alonga como se tivesse consciência do meu medo. Meu coração bate em um ritmo errado, indeciso, como se também não soubesse se deve acelerar para fugir, endurecer para lutar ou simplesmente parar para não sentir mais nada.

A sala blindada continua a mesma: vidro à prova de balas, aço frio, homens armados posicionados como sentinelas de um castelo moderno. Tudo sólido. Tudo seguro. Exceto eu. Por dentro, não há blindagem alguma — só escombros. Um silêncio pesado ocupa o espaço, denso demais para ser apenas ausência de som. Ninguém se aproxima. Ninguém pergunta como eu estou. Não é indiferença. É medo. Medo de tocar no ponto exato onde eu posso quebrar de vez.

Sinto os olhares pousados em mim com cautela, como mãos que não sabem se devem segurar ou soltar. Eles me veem como algo instável. Um erro prestes a acontecer. Um de
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