Felipe Diniz
A primeira noite na prisão tem cheiro de ferro, mofo e lembranças. Não existe silêncio aqui — só o som dos passos distantes, das portas se fechando, das almas que perderam o direito de sonhar. Eu deveria estar em pânico. Mas não estou. Porque, pela primeira vez em anos, não preciso fingir ser o homem que o mundo esperava. Aqui dentro, não existe Diniz Cosmetics, nem números, nem poder. Só eu — e a verdade crua que sempre evitei encarar.
Sou culpado.
Não só pelos crimes que cometi.