Felipe
A queda de um império nunca começa com gritos. Ela começa com um silêncio denso, quase reverente — o tipo de silêncio que só existe em salas de guerra onde decisões irreversíveis são tomadas por homens que jamais assinarão seus próprios pecados. É esse silêncio que me cerca agora. Estou de pé à cabeceira da mesa oval da diretoria. O 41º andar permanece iluminado como um palco de execução. Luz demais. Ar de menos. Cada rosto ao redor da mesa sabe que o que será decidido aqui não vai para atas, não entra em relatórios e não poderá ser desfeito. Lá fora, São Paulo pulsa. Aqui dentro, tudo aguarda a minha palavra.
— Trancaram todas as portas? — pergunto, sem olhar para ninguém.
— Sim, senhor Diniz — responde o jurídico, a voz ligeiramente mais baixa do que o normal.
— Telefones isolados? — continuo.
— Nenhuma linha externa ativa.
Assinto uma única vez.
Helena está no meu apartamento. Três equipes de segurança. Rotas alternativas. Nomes trocados. Protocolos de guerra ativados. Saber