Felipe
Manhã do dia seguinte
7h41
O céu de São Paulo ainda hesita entre o azul e o cinza quando as portas espelhadas da Diniz Cosmetics se abrem — e o prédio deixa de ser uma empresa para virar um campo de batalha. Câmeras se erguem. Repórteres avançam. Drones pairam como abutres famintos. Ninguém sabe quem vai cair hoje.
Mas todos sabem quem acendeu o fósforo.
Sou eu quem cruza o saguão.
— É ele…
— Felipe Diniz…
— Ele veio com ela…
As vozes se atropelam enquanto eu avanço. O terno está perfeito. O passo, matemático. O olhar, afiado o suficiente para cortar aço. Não há pressa. Não há dúvida. Existe apenas a calma absoluta de quem já decidiu destruir alguém — e dormiu bem com isso.
Helena caminha ao meu lado.
— Está tudo bem? — murmuro, sem virar o rosto.
— Está — ela responde baixo, firme demais para alguém que quase foi quebrada. — Vai fazer o que veio fazer.
Seguro a mão dela com mais força. Não para confortar. Para marcar território.
— Ninguém toca em você — digo, seco. — Ninguém.