Amanda estava na biblioteca da mansão — seu refúgio de silêncio e memória. As estantes altas, o cheiro levemente adocicado de couro e papel antigo, e a luz morna do fim da tarde criavam um casulo onde ela podia, por alguns minutos, fingir que o caos não existia. Tentava se concentrar em uma planilha no laptop, mas cada célula preenchida parecia ecoar o nome dele: Daniel.
E como se o pensamento tivesse poder, ela ouviu passos. Não precisou olhar. O som era familiar — pesado, hesitante, quase arr