O Mafioso que se Apaixonou pela Dentista - e quase perdeu tu
O Mafioso que se Apaixonou pela Dentista - e quase perdeu tu
Por: Ninha Cardoso
Voo inicial

Parte 1...

Alicia

Eu não conseguia segurar minha ansiedade para chegar logo. Estava um pouco nervosa também e tudo por culpa de Aline. Mais uma vez.

A comissária de bordo se aproximou, verificando se todos estavam com os cintos afivelados.

— Senhorita, por favor – apontou para o cinto.

— Ah, sim... Desculpe – dei um sorriso de canto e prendi o cinto — Obrigada – respirei fundo.

— Se sente bem? Tem algum problema em voar?

— Em voar? Tenho todos – ela sorriu — O primeiro é que não tenho asas para tanto. – a passageira ao meu lado sorriu também — Será que pode me trazer água?

— Em um instante já trago – fez um gesto com a cabeça e saiu.

Comecei a bater as unhas no encosto de braço, isso me relaxa um pouco. Olhava sem parar pela janela, me arrependendo de não ter comprado um assento ao lado. Agora tenho que me contentar em voar para casa no corredor. Menos mal que comprei primeira classe.

Tudo bem que é muito mais cara do que a executiva, mas me dei de presente esse luxo, depois de quatro dias em uma convenção chata sobre os avanços da odontologia no mundo.

— Desculpe... – ouvi alguém falar — Desculpe... Senhorita? Oi?

Me virei e vi um homem inclinado em minha direção, apontando para minha mão.

— Oi... Será que pode parar com o ruído?

Torci a boca de lado, mas parei e ele agradeceu. Me voltei para a janela de novo. A comissária retornou com a água que pedi assim que o avião levantou voo e retirei o cinto.

— Aqui está. O que prefere?

— A garrafinha, por favor, sem gás – peguei e abri a tampa — Obrigada!

— Por nada. Pode me chamar se quiser algo mais.

Sorri agradecendo e dei um gole. A água estava gelada e foi um alívio. Quase bebi toda a garrafa de vez. Fechei os olhos e voltei meu pensamento para o que fazer quando chegasse.

Teria que correr para o hospital. Depois que souber o que houve de verdade, aí sim poderei ir para casa. Até lá, vou ficar ansiosa.

“Ai, Aline. Vai me deixar de cabelos brancos antes da idade certa chegar”.

Soltei o ar de vez. Abri a garrafinha de novo e terminei toda a água, apertando e amassando o plástico.

— Senhorita... Por favor...

Olhei para trás. O homem de novo. Ele estava sentado do outro lado, uma fileira atrás, também no corredor e agora sorria com certa crítica no olhar.

— O quê?

— Estou tentando ler e você está fazendo barulho, amassando essa garrafa. Não pode apenas beber e jogar fora?

Revirei os olhos com um respirar fundo e enfiei a garrafa na parte da poltrona em frente, para revistas. Cruzei as mãos sobre o colo e tentei focar na paisagem lá fora. Nuvens.

“Não posso deixar que mamãe saiba. Vou direto ao hospital, falo com Aline e depois invento algo. ”

Meu coração batia acelerado pela ansiedade de chegar logo. Se tudo for como Aline me disse ao telefone, ela vai ter que ficar em meu apartamento por uns dias, até que melhore.

“Deus me ajude a passar por mais essa. ”

Fechei os olhos de novo e deixei a mente correr sozinha. Tentei evitar ficar pensando em Aline, senão sou capaz de abrir a porta de emergência e pular daqui.

“Como se isso fosse ajudar em alguma coisa. ”

Abri os olhos e passei os dedos pelo cabelo. Minha ansiedade não me deixa relaxar por completo. Peguei o celular na bolsa e liguei, correndo o dedo na tela. As últimas mensagens eram de Aline, nada novo.

— Oi... De novo? – respirei bem fundo e soltei bem devagar pelo nariz, para me acalmar e me virei — Não pode usar o celular enquanto estamos voando.

— Quem disse? – ergui a sobrancelha.

— A segurança da aviação disse – deu uma risadinha — Desligue.

— Eu poderia até desligar – mexi a cabeça, virando os lábios de um lado para outro — Mas você não pode me mandar fazer isso. Então... – ergui o celular — Não desligo – me virei para a frente.

Ele se calou, mas não por muito tempo.

— Olhe... Oi? Pode olhar pra mim enquanto falo?

— O que quer, homem? – inclinei a cabeça.

— Quero que você seja sensata e não coloque em risco a minha vida e de todos os passageiros. Desligue o celular.

— Não tem problema em usar o celular.

— Tem sim.

— Claro. O avião vai cair porque eu estou usando o W******p para ler minhas mensagens. O piloto não vai poder pousar – abri um sorriso irônico.

Ele não achou graça nenhuma.

— Dispositivos eletrônicos interferem nos sistemas de navegação.

— Moço, isso aqui é um celular, não um míssil nuclear.

Ele respirou fundo, talvez perdendo a paciência.

— Desligue.

Eu sorri, doce demais para ser sincera.

— Não. – fiz uma cara de boba.

Ele apertou o botão acima da cabeça com uma firmeza quase dramática.

Ding.

Arregalei os olhos.

— Você está falando sério?

A comissária apareceu segundos depois, simpática, profissional.

— Posso ajudar?

Ele apontou para meu celular.

— A passageira se recusa a desligar o aparelho durante o taxiamento. Isso compromete a segurança da aeronave.

A comissária olhou pra mim e ergui o celular.

— Eu só estava enviando uma mensagem – olhei para ele — Avisando que talvez eu morra... Devido um homem chato que me incomoda durante o voo.

Ela segurou o sorriso, deu pra ver.

— Bem, estamos perto do pouso. É melhor que desligue ou pelo menos coloque em modo avião. Por favor!

Ele sorriu se achando vencedor e se reclinou. Soltei um suspiro e fiz uma careta para ele. Coloquei modo avião.

— Assim é bem melhor. – o ouvi.

— Cara, você tem problema? – me virei quase saindo da cadeira — Não enche meu saco.

— Educada você.

— Eu sou... Com quem merece – voltei à posição.

Realmente não demorou muito mais do que uns três minutos e o aviso para pouso acendeu. Graças a Deus. Assim que as rodas tocaram o chão eu já fui tirando o cinto. Logo que parou me levantei, peguei minha bolsa e saí.

— Rápido, por favor... – cruzei os braços esperando minha mala passar na esteira. Meu celular vibrou — Sim... Eu já cheguei... – vi de canto de olho o homem ao meu lado, mas evitei lhe dar atenção — Eu vou direto para o hospital... Como ela está? Eu sei, eu sei... – cocei a cabeça — Não, eu vou resolver – vi minha mala e me estiquei para pegar — Ok, vou pegar um táxi e já vou correndo.

Não olhei em volta e saí o mais rápido que podia da área de desembarque, indo atrás dos táxis lá fora. Infelizmente, não havia nenhum ali.

— Meu Deus... Tudo tem que ser demorado? – me virei de vez e me bati com alguém. Levantei o rosto — Me desculpe eu não... Você!

— Sim, eu – era ele de novo — E não fiz nada. Você que está agitada. Está tomando algo?

— O quê? – apertei os lábios — Olha, se eu tivesse tempo para perder, iria mostrar a você o que estou tomando – ajeitei a alça da bolsa — Sorte sua que preciso ir ao hospital.

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