Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlessia Bianchi nasceu para obedecer. Filha do temido Don Domenico Bianchi, ela cresceu entre luxo, lealdade cega e o peso de uma família que não perdoa fraquezas. Quando o Boss decide que é hora de selar alianças e recompensar sacrifícios antigos, ele impõe o impensável: Alessia será entregue em casamento ao homem que sacrificou tudo pela Organização. Damiano Ross. O Underboss lendário que assumiu o posto jovem demais, foi preso por um crime que não cometeu - para proteger o herdeiro Bianchi - e perdeu anos atrás das grades. Recém-saído da prisão, ele reencontra uma filha que nunca viu, Caterina, criada como irmã mais nova de Alessia. E agora, o mesmo homem que o "salvou" o obriga a casar com a princesa intocada da família. Mas segredos antigos sangram nas sombras da máfia. Entre alianças frágeis e segredos que sangram nas sombras da máfia, um casamento arranjado pode virar obsessão... ou a maior ameaça de todas. Em um mundo onde amor é fraqueza e traição é sobrevivência, um casamento forçado pode virar a maior vingança... ou a redenção mais perigosa.
Ler maisEstava em meu quarto, observando meu reflexo no espelho. A luz suave da tarde filtrava pelas cortinas de veludo azul, lançando sombras delicadas sobre o papel de parede florido que Mamma havia escolhido anos atrás. Cheguei à conclusão de que, de fato, ela sabia escolher um vestido! O tecido azul escuro, quase preto, abraçava meu corpo como uma segunda pele, com mangas de renda que caíam nos ombros delicadamente, evocando uma fragilidade que contrastava com a força que eu precisava reunir naquela noite.
Era justo até a cintura, mas não vulgar; depois, o tecido se soltava um pouco nos meus quadris, descendo até um pouco acima dos joelhos e me dando um ar de pura elegância.A renda se deslocava por todo o tecido e ultrapassava o pano macio por debaixo, descansando em minhas coxas com uma sensualidade sutil, quase provocativa, que me fazia sentir exposta e poderosa ao mesmo tempo. Meus cabelos castanhos escuros estavam presos em um coque impecável, com algumas mechas soltas - duas adornavam as laterais do meu rosto, fazendo leves cachos até abaixo do queixo, como se fossem fios de seda tecidos para enquadrar minha expressão. Meus olhos eram de um azul claro, como os de minha mãe, e embora ela sempre me dissesse que cores escuras os realçavam, eu não costumava usar maquiagens tão chamativas. Não achava que, na ocasião atual, isso seria uma boa ideia. Uma camada leve de rímel e um toque de batom nude bastavam; eu queria parecer confiante, não desesperada por aprovação. Nos pés, coloquei um sapato preto fechado de salto alto, cujos cliques ecoavam no piso de madeira polida como um lembrete de que cada passo contava. Complementei com brincos pequenos de pérola, optando por não colocar colar, já que o decote pouco afundado já chamava a devida atenção. Eu girava devagar diante do espelho, ajustando a postura, sentindo o peso da expectativa que pairava no ar da casa. Aquela não era uma noite qualquer. Meu coração batia um pouco mais rápido, não só pelo vestido, mas pelo que ele representava: um jantar que poderia mudar tudo. Ouvi batidas leves na porta, um toque educado e hesitante. Respondi que entrasse, virando-me ligeiramente para ver quem era. - Com licença, senhorita Bianchi, seu pai pediu para avisá-la de que o convidado já chegou - disse Sabrina, parada na entrada da porta, uma de nossas empregadas mais antigas. Seu uniforme impecável de saia preta e blusa branca a fazia parecer parte da mobília, mas havia algo em sua voz, uma tensão sutil. A forma como ela se referiu ao homem que acabara de chegar me fez parar de olhá-la pelo reflexo do espelho e me virar completamente. Seu gesto sutil com os olhos me indicou a figura um pouco menor que ela, logo atrás, esperando por sua vez de falar comigo. - Estão no escritório e logo irão chamá-la! - continuou Sabrina, com um aceno rápido. - Tudo bem, eu já irei descer - dei a ela uma afirmação afetiva com a cabeça, como quem diz "eu cuido disso" , e a jovem se retirou com um passo apressado, permitindo que a adolescente de cabelos negros atrás dela entrasse completamente em meu campo de visão.- Pode entrar, Cat! - A menina não esperou por um segundo convite. Ela cruzou o limiar com a determinação de quem carrega um segredo pesado demais para seus ombros frágeis. Veio até mim com olhos curiosos e desconfiados, seus cabelos negros ondulados caindo soltos sobre os ombros magros, vestindo um simples vestido de algodão azul-marinho que realçava sua silhueta esguia de criança em transição para a adolescência. Cat era como uma versão mais jovem e selvagem de mim mesma, mas com uma inocência que o mundo ainda não havia corroído completamente. Seus pés descalços pisavam o tapete persa com leveza, e eu podia ver as unhas roídas de nervoso nas mãos pequenas. - Está tudo bem? - perguntei, inclinando-me ligeiramente para ficar no nível dela. Ela assentiu, mas olhou novamente para a porta, como se esperasse que alguém surgisse das sombras. Compreendendo seu desconforto imediato, fui até a mesma e a fechei com um clique suave, isolando-nos do burburinho distante da casa. Voltei até ela e nos guiamos até a cama, sentando-nos na beirada coberta por uma colcha de linho bordado. Olhei em seus olhos castanhos profundos, procurando qualquer sinal do que poderia estar sentindo, e só encontrei confusão misturada a uma determinação teimosa. - Temos poucos minutos até que Mamma venha atrás de nós. Diga-me, o que houve? - Ela balançou a cabeça negativamente, mordendo o lábio inferior. - Parece que tem alguma coisa... errada. Sinto que todos estão me escondendo alguma coisa. Nem mesmo as empregadas me falam nada - eu sabia exatamente do que ela estava falando. A casa inteira vibrava com uma energia elétrica, um silêncio carregado que só quem crescera ali reconheceria. Mas uma parte de mim ainda queria adiar aquela conversa e manter minha palavra com meus pais, de que não diria nada a Cat até que Mamma decidisse lhe contar. Era uma promessa feita em voz baixa, no escritório de Papà, onde o cheiro de charuto e uísque pairava como uma névoa de segredos. - Não falam nada sobre o quê? - tentei ganhar tempo, alisando uma mecha solta de seu cabelo para disfarçar o nervosismo. - Sobre esse jantar! Quem é tão importante que parece ter deixado todos nervosos, até mesmo o Dom? - Seus olhos se arregalaram ao dizer aquilo, como se as palavras tivessem escapado sem permissão. - Não o chame assim, sabe que não é permitido! - censurei em sussurros, olhando rapidamente para a porta, como se alguém pudesse estar atrás dela, escutando. Pois, às vezes, as paredes tinham ouvidos nessa casa. Crescer na sombra da máfia nos ensinava isso cedo: palavras eram armas, e ouvidos invisíveis estavam sempre à espreita. Lembrei-me de uma noite, anos atrás, quando uma conversa sussurrada entre empregadas custara a um motorista a lealdade - e talvez mais - do chefe. - Desculpe... - ela baixou os olhos e apertou as mãos uma na outra, uma mania que tinha desde pequena quando ficava nervosa. Seus dedos tremiam levemente, e eu segurei-as para lhe passar conforto; não queria que sentisse que eu estava brigando com ela. Minha palma contra a dela era quente, um laço silencioso entre irmãs improváveis. - Só não quero que se meta em problemas com isso, está bem? - Ela assentiu, os semi-cachos negros balançando. - Mas... acha mesmo que todos parecem nervosos? - Ela bufou de frustração, cruzando os braços magros. - Eu não acho, tenho certeza! O cozinheiro derrubou uma panela hoje de manhã, e Sabrina está limpando o chão pela terceira vez. Até o cachorro parece agitado! - Assenti, refletindo sobre suas palavras. Caterina era, de fato, uma garota muito observadora. Crescer na máfia fazia com que ficássemos alertas, especialmente na situação dela - órfã de mãe, acolhida por nós desde que nascera, há 11 anos atrás após um "acidente" que ninguém mencionava. Também não ousei discordar; de fato, Damiano Rossi parecia abalar qualquer um com a simples menção de sua presença, até mesmo meu pai, que comandava com punho de ferro. Eu havia ouvido histórias sobre ele: o Underboss implacável, braço direito de meu pai, que havia sido preso após complicações com a polícia e um bar em chamas, o rastro de lendas sombrias sobre seus atos ecoando pelos corredores. De qualquer forma, eu sabia em meu íntimo que esconder a verdade era injusto, pois era direito dela saber... Saber que aquele jantar não era só uma recepção, mas uma aliança selada em pratos de porcelana fina... - Cat... - Quando comecei a falar, decidida a lhe contar pelo menos uma fração da verdade - que Damiano era o homem que Papà havia escolhido para ser meu marido -, ouvi passos familiares vindos da escada, firmes e ritmados como um relógio marcando o destino. - Olha, não tenho tempo para lhe explicar tudo agora, mas prometo explicar tudo hoje à noite, ok? - Ela me pareceu preocupada, os olhos úmidos de dúvida, mas assentiu com relutância. - Vamos, finja que está me ajudando com o vestido. Continua...Três anos depoisO sol do fim de tarde sobre os subúrbios de Chicago trazia uma tonalidade dourada que eu, por muito tempo, julguei que nunca mais veria. Caminhei calmamente pelo piso de madeira da varanda, segurando as saias do meu vestido longo e fluido de seda azul, apreciando o perfume suave de jasmim que emanava do meu jardim. Ali, na calmaria da nossa casa, o silêncio não era mais o prelúdio de uma ameaça ou o eco de um cativeiro. Era a mais pura paz.Olhei para o jardim bem cuidado e meu coração se aqueceu com a imagem que vi. Aos quatorze anos, Caterina havia se tornado o verdadeiro orgulho desta casa. Ela era inteligente, carismática, gentil e muito atenciosa. Ela corria pela grama, rindo alto enquanto tentava segurar dois furacões idênticos de apenas dois anos. Meus filhos gêmeos, Matteo e Tomás, seguiam os passos dela com suas pernas gordinhas e aquela energia inesgotável que puxaram do pai, embora toda vez que se olhassem no espelho encontrassem os meus próprios olhos azui
Seis Meses DepoisSeis meses haviam se passado desde a noite em que o cimento do porto engoliu o último vestígio do passado de Alessia. Seis meses desde que assumi a liderança absoluta da nossa organização, enterrando a velha guarda e reescrevendo as regras com o meu próprio sangue. O dia na sede da Família havia sido longo, uma sucessão interminável de reuniões com os chefes de área e os novos street bosses que agora respondiam diretamente a mim. O peso da coroa da Oufit nunca ficava mais leve, mas era o preço que eu pagava de bom grado para manter o império seguro.Estacionei o utilitário na entrada da agora mansão em que morávamos e saí, desatando o nó da gravata escura com uma das mãos. O cansaço pesava em meus ombros, uma tensão acumulada que parecia se dissipar apenas quando eu cruzava os limites daquela propriedade.Ao caminhar em direção à lateral da casa, o som de risadas suaves flutuou pelo ar da tarde. Na varanda dos fundos, o cenário que encontrei me fez parar por um ins
A manhã nasceu cinzenta, com uma névoa espessa cobrindo a cidade de Chicago e filtrando uma luz pálida pelas frestas das cortinas de veludo. Levantei-me antes que o sol estivesse completamente alto, tomando o cuidado de colocar um travesseiro no lugar do meu corpo para que Alessia não despertasse com a minha ausência. Ela ainda dormia um sono profundo e pesado, as marcas arroxeadas sob os olhos denunciando o preço físico do trauma recente.Tomei um banho rápido, vesti um terno sob medida cinza-escuro, uma camisa preta e dispensei a gravata. Abotoei as abotoaduras de ouro com o brasão da família e, antes de sair do quarto, parei ao lado da cama, depositando um beijo suave na testa da minha mulher. Ela murmurou algo incompreensível e se encolheu mais sob os lençóis.Ao descer as escadas, o silêncio da penthouse era diferente do da noite anterior. Havia uma tensão elétrica no ar, uma expectativa palpável dos soldados que faziam a guarda nos corredores. Quando me viam passar, a postura de
O trajeto de volta para a mansão principal foi governado por um silêncio absoluto, denso e cortante como o gume de uma lâmina recém-afiada. Dentro do utilitário blindado, o ar-condicionado trabalhava no máximo, mas o ambiente parecia sufocante, impregnado com o odor metálico que insistia em se desprender das minhas roupas e da minha pele.Ao meu lado, Alessia mantinha os olhos fixos na janela lateral, observando as luzes distantes da cidade passarem como borrões dourados na escuridão da noite. Sua mãe, Valentina, estava no banco de trás, silenciosa e em estado de transe ao que parecia. Alessia insistira em trazê-la junto para que não ficasse sozinha na casa, com todas as memórias desagradáveis. O corpo de minha esposa, antes rígido pelo choque, agora parecia desprovido de qualquer sustentação, como se a gravidade estivesse pesando o dobro sobre seus ombros. Minha mão esquerda, livre das manchas mais grossas de sangue que eu havia limpado rapidamente com um lenço antes de sairmos, rep
Último capítulo