MAVI NARRANDO
A imagem dele puxando a língua da empregada e apontando a lâmina do canivete continuava queimando atrás dos meus olhos. Aquela cena era um lembrete do mundo em que eu tinha entrado. Um mundo que não aceitava erros. Que não perdoava desrespeito. E que lidava com boatos como se fossem sentenças.
Eu sustentei meu papel por tempo suficiente. Mas no fundo, eu tremia.
O rosto da mulher ainda me assombrava. O medo nos olhos dela. As mãos trêmulas. A gota de suor escorrendo pela têmpora.