Fiquei parada no meio da sala como quem acabou de abrir a porta do avião sem paraquedas. O telefone ainda estava na minha mão. A ligação tinha durado exatos cinco segundos, mas parecia ter reorganizado a geografia do meu corpo.
“Cuide bem do seu filho.”
Não tinha ruído de fundo, não tinha respiração pesada, não tinha riso. Só a frase limpa, cirúrgica, e depois a linha morta. Eu ouvi minha voz dentro da cabeça tentando reagir com lógica: pode ser trote, pode ser engano, pode ser qualquer coisa. Outra voz, muito menos educada, respondeu: pode ser exatamente o que é.