Saí do quarto antes que meu bom senso resolvesse tirar férias. Peguei a bolsa, o laptop e uma dignidade amassada, deixei Enzo plantado ao lado da mesa e caminhei até a porta. Ele não me segurou. Não dessa vez. Ainda senti o calor da mão dele na minha nuca, o quase-beijo nas bordas da boca, a frase que ficou reverberando nos meus ossos: eu lembro. Ótimo. Eu também lembrava. O problema era tudo o que vinha anexado a essa lembrança.
O corredor estava gelado e claro demais. Apertei o botão do eleva