O silêncio pesava tanto que eu podia ouvir meu coração disparado. Enzo segurava a foto como se fosse uma prova de crime. Os olhos dele não vacilavam, fixos em mim.
— Então era você. — A voz saiu baixa, firme. — Veneza.
Senti o ar sumir. Meu corpo ficou gelado e minhas mãos tremiam ao lado do corpo.
Ele se aproximou um passo, sem pressa.
— Você achou que eu não lembraria? — O tom dele não era de dúvida, era de constatação.
— Eu… — minha garganta secou. — Eu pensei que tivesse esquecido. Mas você não lembrou de primeira também.
— Como esquecer algo como você? — Ele ergueu a foto diante do meu rosto. — Eu nunca esqueço uma noite assim.
Minha respiração falhou. O sangue pulsava nos ouvidos, deixando o mundo embaçado.
— Enzo, por favor…
— Não me peça isso. — A raiva contida nos olhos dele me prendeu. — Você sabia e escondeu de mim.
— Eu não escondi nada — rebati, tentando soar firme. — Não tinha por que trazer o passado para o presente.
Ele riu, curto, jogando a foto sobre a mesa. O som