O choque atravessa seu rosto sem pedir permissão, cru, desprovido de qualquer elegância ou contenção. É puro. Por um instante, o controle que ele tanto preza falha. E eu sei, naquele segundo silencioso e carregado, que tudo o que ele acredita dominar acaba de ruir.
— Que porra é essa? — ele pergunta, a voz rouca, o descontrole transbordando.
Minha mão, por reflexo, voa para o ventre. Um gesto instintivo, sem pensamento. Meu corpo protegendo o que é meu.
— Eu estou grávida — digo, a verdade simples e irrefutável.
O silêncio cai pesado, denso, quase sufocante. Ricardo não me olha. Seu olhar escapa e se fixa diretamente em Vitor. Não entendo o motivo, apenas sinto o ar mudar, a atmosfera se adensar. Algo se quebra ali — não devagar, mas de uma vez, com a violência de um vidro estilhaçado.
— É seu? — ele pergunta, a voz dura como pedra, apontando com o queixo na direção de Vitor.
Demoro um segundo para processar a insinuação, para que o choque atrasado me atinja em cheio.
— O quê? — solto