O choque atravessa seu rosto sem pedir permissão, cru, desprovido de qualquer elegância ou contenção. É puro. Por um instante, o controle que ele tanto preza falha. E eu sei, naquele segundo silencioso e carregado, que tudo o que ele acredita dominar acaba de ruir.
— Que porra é essa? — ele pergunta, a voz rouca, o descontrole transbordando.
Minha mão, por reflexo, voa para o ventre. Um gesto instintivo, sem pensamento. Meu corpo protegendo o que é meu.
— Eu estou grávida — digo, a verdade simp