Próxima demais. Familiar demais.
Saímos da clínica juntos, sob o sol do meio-dia. Não houve despedida formal, nem constrangimento — apenas a continuidade natural do acordo que havíamos feito. O calor da rua subiu imediatamente do asfalto, pesado, incômodo, colando na pele.
Ricardo caminhou ao meu lado, ajustando o passo para que eu não precisasse me apressar. Abriu a porta do carro para mim, esperou que eu me acomodasse e colocou a bolsa no banco de trás com cuidado.
O trajeto até o apartamento foi silencioso demais para ser confortável. Ricardo dirigia com a atenção absoluta de sempre, as mãos firmes no volante, o olhar focado à frente. O ar-condicionado estava ligado, mas o carro parecia pequeno demais para a história que nos separava. Eu sentia a presença dele em tudo — no perfume contido, no braço que se movia com precisão ao trocar de marcha, na memória involuntária do quanto aquele gesto já tinha sido íntimo um dia.
Nenhum de nós tentou preencher o espaço entre os bancos.
Eu observava a cidade passar pela janel