Oi, pequeno. Eu estou aqui.
Meu corpo reconhece antes que eu consiga impedir. O coração acelera. Não de medo. De outra coisa muito mais perigosa.
— Ricardo… — murmuro, sem força.
— Shh — ele diz. — Já vai passar.
Passar. Como se tudo passasse.
Ele caminha em direção ao elevador com passos rápidos, controlados. Aperta o botão com o cotovelo, sem me soltar. O porteiro nos vê de relance, arregala os olhos, mas não pergunta nada. Apenas abre o acesso. O silêncio colabora.
As portas do elevador se abrem. Ricardo entra comigo ainda nos braços. Aperta o botão da cobertura. As portas se fecham com um som seco, definitivo. Estamos presos ali.
O espaço é pequeno demais. O ar parece mais quente agora, mais pesado. Sinto a respiração dele contra a minha têmpora, contida, cuidadosa. Ele olha para mim — eu sei que olha, mesmo sem abrir os olhos. E é isso que me destrói. Porque não é um olhar de vitória. Não é um olhar de esperança. Não é um olhar de homem que acha que está recuperando espaço.
É amor. Cru. Silencioso. Indiscip