Um mês depois...
Natália
A sala de espera da clínica obstétrica era um santuário calculado de tons pastéis. Paredes em bege suave, poltronas arredondadas em verde-água, quadros minimalistas de bebês sorridentes que pareciam prometer uma felicidade limpa, organizada, quase clínica demais. Uma música instrumental discreta escorria pelos alto-falantes, e as mesas laterais exibiam revistas de maternidade que vendiam um mundo em rosa e azul, onde tudo parecia simples, leve e resolvido.
Para a maioria das mulheres ali, aquele espaço era feito de expectativa alegre. Para mim, era um campo de batalha silencioso, onde cada gesto precisava ser medido. Onde a diplomacia era a única arma permitida.
Eu cheguei primeiro. Sentei-me, organizei a bolsa no colo e respirei fundo, como se estivesse me preparando para uma reunião de negócios — não para uma consulta médica. O ambiente cheirava a limpeza, a lavanda artificial, a promessas que não me pertenciam.
Foi então que ele entrou.
Ricardo não faz entr