Estela
Três dias.
Noventa e seis horas no escuro.
Fria, amarrada, machucada.
Mas nada doía tanto quanto o silêncio da minha barriga.
Luiza não se mexia.
Ela sempre se mexia… depois do almoço, ao ouvir a voz do Gui, ou quando eu cantava baixinho pra ela dormir. Mas agora…
Agora o medo tinha forma. Peso. Gosto.
— Filha… sussurrei com os olhos marejados, a garganta seca. — Eu tô aqui, meu amor. A mamãe tá aqui… o papai já tá vindo buscar a gente. É só mais um pouquinho, meu anjo. Fica firme, tá?