"Há silêncios que falam. E aquele entre nós, na varanda, era o mais eloquente de todos." — Luna Castilho
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Eu sentia o vento brincar com meus cabelos, o cheiro do mar se misturando ao perfume dele — o mesmo perfume que um dia me envolveu, me prendeu, me fez esquecer quem eu era. Agora, esse cheiro trazia lembranças e feridas.
O toque da mão dele ainda queimava na minha pele. E, mesmo sem enxergar, eu podia ver o que ele sentia. Estava ali — no ar entre nós, no som contido da respiração dele, na forma como o mundo pareceu parar quando nossos dedos se encontraram. Mas o amor, quando volta, não vem limpo. Vem cheio de cicatrizes.
Ele ficou ali, parado, como se tivesse medo de quebrar o que restava. E eu também estava com medo. Porque o perdão é um salto no escuro — e eu já vivi tempo demais no escuro para saber que nele também há precipícios.
— Você parece cansado — digo, quebrando o silêncio.
A voz dele sai baixa, rouca.
— Estou. Cansado de fugir, cansado de lutar contra algo