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133: Fernando Torrenegro

"Se quiser salvá-la — de mim, dos inimigos, de tudo — eu terei que destruir o homem que fui." — Fernando Torrenegro

🖤

As manhãs ao lado dela são silenciosas, mas não frias. Há uma paz que me desarma. Um tipo de calma que, por anos, eu achei ser apenas uma invenção — algo que homens como eu jamais tocariam.

Luna acorda antes de mim.

Sempre antes.

Ouço seus passos leves pela cozinha, o tilintar das xícaras, o som discreto do rádio tocando alguma melodia antiga. E cada nota me fere e cura ao mesmo tempo. Ela não fala muito. Mas quando o faz, é como se cada palavra limpasse um pouco do sangue que ainda escorre das minhas memórias.

Hoje, por exemplo, ela apenas disse:

— O sol está forte lá fora. Acho que ele quer te ver.

E eu ri.

Um riso pequeno, quase esquecido.

Porque nunca pensei que um dia alguém me desejaria a luz.

Faz uma semana que estou aqui, nesse pequeno refúgio à beira-mar. Longe de tudo. Longe de todos. Ou quase todos. Porque a sombra do que fui não desaparece. Ela
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