“Partir dele foi como respirar depois de um naufrágio — doeu, queimou, mas era o único jeito de viver. E mesmo com o mar entre nós, levo dentro de mim o eco do que fomos… e o começo do que ainda serei.”
— Luna Castilho
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O amanhecer chegou sem som. Nenhum pássaro, nenhum murmúrio. Só o mar — respirando lá fora, profundo e constante, como se acompanhasse o ritmo do meu peito. A mansão, adormecida, parecia existir entre dois mundos: o que acabou e o que ainda não começou.
Levantei-me antes que ele acordasse. O lençol, ainda morno do corpo dele, grudava levemente na minha pele. O cheiro de Fernando estava em tudo: uma mistura de fumaça, sal e algo escuro, metálico, como o gosto do próprio arrependimento. Quando inspirei, o ar pareceu mais pesado. Carregado daquilo que não se diz — e que ainda assim grita dentro da gente.
Descalça, toquei o chão frio e deixei que o corpo guiasse onde os olhos não podiam. A madeira sob meus pés me contou o caminho. Cada imperfeição, cada lasca, cada desní