"Fui forjado pelo ódio; ela me desarma com um sorriso — e eu prefiro incendiar o mundo a deixá-la ir." — Fernando Torrenegro
🖤
Eu deveria odiar minha própria fraqueza.
Deveria me punir por cada palavra que deixei escapar. Por cada silêncio que ela conseguiu decifrar. Mas a verdade é que, quando a vi encostar a cabeça no meu peito, não senti vergonha. Senti alívio.
O toque dela não é leve. É um peso. Um peso que me prende no presente, quando tudo em mim foi treinado para viver apenas de lembranças e promessas de vingança. Ela não precisa ver para saber onde me quebrar. E talvez esse seja o meu maior erro: permitir que ela encontre fissuras que nem eu sabia que existiam.
Penso em meu pai. Penso em minha mãe. No sangue derramado, nas noites em que jurei nunca descansar até que todos os culpados pagassem. E então olho para Luna — e percebo que tudo que um dia me moveu já não arde da mesma forma.
O fogo continua lá. Mas não queima sozinho. Ela o transforma em algo que não sei nomear. Algo