Mundo de ficçãoIniciar sessãoEm Los Angeles dos anos 50, onde o glamour de Hollywood convive com a escuridão dos negócios ilícitos, três vidas são empurradas para um mesmo destino perigoso. Emilly, a recém descoberta herdeira Kinahan, tem sua história marcada por segredos e traumas que nenhum olho deveria testemunhar, e encontra proteção em Cillian Barnes, o homem encarregado de mantê-la segura, mas que falhou no momento mais crucial. Devastado pela culpa, Cillian faz de sua missão pessoal reconstruir o que não pôde impedir. Mas quando Arthur Holbech, um professor de astronomia que só queria sobreviver a uma noite social, cruza o caminho de Emilly, algo desperta nele. Um fascínio silencioso, imprudente, impossível de admitir diante do olhar vigilante dos Kinahan. Dois homens, tão diferentes quanto luz e sombra. Uma jovem que nunca foi livre para escolher. E um mundo onde sentimentos podem ser mais perigosos que qualquer arma. À medida que festas opulentas escondem ameaças, alianças e verdades sufocantes, Emilly, Cillian e Arthur se veem presos em um triângulo onde amor, dever e sobrevivência se confundem. Porque em Hollywood, ninguém ama impunemente, e muito menos quando o amor envolve sangue Kinahan.
Ler mais1934
A ansiedade me invadiu ao ver o ônibus que partiria em direção a Palm Springs parado, aguardando por seus passageiros, a poucos metros de onde eu estava.
Se tudo desse certo, em breve eu embarcaria rumo a uma nova etapa de minha vida. Respirei fundo na tentativa de me acalmar enquanto ajustava as luvas negras que cobriam minhas mãos.
Apanhei um cigarro em minha bolsa, desejando ter uma piteira à disposição. Mas em breve eu teria dinheiro para tudo isso.
— Bom dia, senhorita — um homem de meia-idade sentou-se ao meu lado, apanhando seu isqueiro para acender o cigarro que tinha acabado de prender em meus lábios.
— Bom dia, senhor — suspirei após soltar a fumaça da primeira tragada.
— Está um belo dia hoje, não? — ele comentou despreocupado, fazendo-me finalmente olhar em sua direção.
Ele devia ser uns trinta anos mais velho do que os meus vinte e três, mas eu não tinha certeza. Seus cabelos desbotados e o bigode combinando transformavam o seu olhar sobre mim em uma expressão vulgar.
Mas o que eu poderia fazer? Aquele homem tinha o meu futuro em suas mãos. Literalmente.
— O senhor trouxe? — questionei sem rodeios.
— Fico feliz que tenha aceitado a minha proposta, minha querida — ele sorriu, ainda me avaliando. — Foi a decisão mais acertada que você poderia ter tomado.
Revirei os olhos, mordendo o interior das bochechas para não ser atrevida com aquele homem. Por sorte, seria por pouco tempo.
— Você e meu filho... nunca dariam certo, entende? — ele prosseguiu, colocando uma maleta sobre as pernas. — E, de uma forma ou de outra, nós conseguimos nos entender, e você conseguiu o que tanto queria.
— Eu não gosto de perder meu tempo, senhor — olhei em seus olhos após soltar novamente a fumaça — então, se nós tivermos um acordo, o senhor pode me entregar a maleta e seguiremos nossas vidas.
O homem me avaliou por um momento, ainda com aquele olhar superior. Se ele pensa que poderá me intimidar, está muito enganado.
— É bom que você cumpra sua parte do acordo, senhorita — ele ergueu as sobrancelhas antes de entregar a maleta.
— Eu cumprirei se aqui tiver os cinco mil dólares que o senhor me prometeu — garanti, abrindo os fechos metálicos e conferindo as notas ali presentes.
— O que você pretende fazer? — ele questionou por fim. — Como pretende explicar todo esse dinheiro?
— Serei apenas uma jovem viúva refazendo a vida em outro lugar, senhor — garanti, levantando-me. — Não precisa se preocupar, o senhor nunca mais terá notícias minhas.
Senti seus olhos violeta, que eu considerava muito interessante em seu filho, mas totalmente desprezível nele, descerem pelo meu corpo, fazendo com que me sentisse enojada. Apenas mais alguns minutos e tudo isso ficará para trás.
— Eu quero você longe da vida do meu filho, senhorita — ele se levantou também. — Mas nós dois podemos manter contato. Eu ainda tenho muito o que te oferecer.
— Essa não é a maneira apropriada de se falar com uma jovem e respeitável viúva, senhor — enfatizei, encarando-o com desprezo.
Eu não estava disposta a descer tão baixo.
— Jovem respeitável… essa foi uma ótima piada, senhorita — ele gargalhou antes de se afastar. — Até nunca mais.
Observei-o por alguns segundos antes de seguir em direção ao ônibus. De uma forma ou de outra, eu alcancei o meu objetivo!
Francis Cíllian parou o carro já no campus, observando o movimento dos estudantes caminhando animados por ali. Pela primeira vez eu não me sentia confortável com a situação. Aquele não era o meu domínio. Eu não estava no controle daquele espaço, eu sequer sabia onde encontra-la.— Quer que eu a traga até o carro, Frank? — Cillian se virou para mim.— Nao. Ela não pode se sentir ameaçada. Não agora — eu neguei — descubra onde ela está.Cillian acenou com a cabeça, saindo do carro em seguida.Eu o observei se afastar, sumindo pouco depois, como se já tivesse decorado todos os caminhos daquele lugar.Emilly.Ele tem feito um bom trabalho em vigia-la.Mas até onde sua dedicação era motivada pela lealdade? Eu não tinha esquecido aquela dança. Mas agora, eu tinha outras preocupações. De uma forma ou de outra, Emilly teria que ficar em segundo plano nesse momento.Não demorou para que ele retornasse, abrindo a porta para que eu saísse do carro.— Ela está no gramado central, próximo a fo
Francis Observei Arthur parado à minha frente. O homem, antes tão confiante, agora parecia ter perdido a cor. Mas para minha surpresa, ele se recuperou, arrumando a gravata em uma tentativa de retomar o controle.— Holbech. Don Bertozzi nunca me deu seu sobrenome — ele respondeu com simplicidade, me fazendo levantar ambas as sobrancelhas diante de sua ousadia.Eu me recostei na cadeira, estreitando meus olhos em sua direção.— Informação interessante. Ele causou a morte de seus pais e nunca quis te assumir publicamente? — eu o provoquei.— Ele impediu que eu crescesse em um orfanato e me deu tudo o que eu precisava. Eu sou grato a ele — Arthur enfatizou.— Grato o suficiente para morrer por ele?Arthur se calou, mantendo seu olhar fixo no meu.Eu devo admitir que o rapaz tinha culhoes. Ele sabia o risco que estava correndo, isso estava claro em seu rosto. Mas ele não permitiu o pânico dominar seu rosto.— O tempo está passando — Eu apontei o relógio.— Eu vim porque eu tenho informaç
Arthur Caminhei pelo campus pensando onde eu poderia encontrá-la naquele momento. Meu primeiro palpite foi o mirante, mas estava vazio. Desci as escadas depressa, tentando me manter com uma expressão tranquila, cumprimentando meus colegas de trabalho ao cruzar com um ou outro pelo caminho. Fui até o refeitório dos alunos, mas ela também não estava.Saí para os jardins da frente, respirando fundo sem saber mais onde eu poderia procurar.Foi quando meu olhar foi atraído para a biblioteca de onde um grupo de garotas saia rindo.Três garotas que constantemente estavam junto de Emilly. Talvez ela esteja na biblioteca afinal.Caminhei até lá com uma tranquilidade que não existia em meu interior, cumprimentando as garotas ao passar por elas, ignorando os risos contidos e sussurros que se seguiram Depois.Abri a porta com cuidado, olhando em volta em busca dela. O lugar estava deserto, mas pude ouvir passos vindos do corredor entre as prateleiras dos fundos. Segui até lá em silêncio, e lá
Arthur — Como você está se sentindo? — eu perguntei em um tom baixo enquanto estávamos caminhando juntos em direção ao refeitório na hora do almoço.— Exausta, eu não sei o que vou fazer se continuar assim — Maggie suspirou.Enquanto falava com ela meu olhar percorria os alunos em busca de algum sinal de Emilly, ela não foi ao mirante pela manhã, mas esperava encontrá-la antes do fim do almoço.— Ainda não falou com ele? — Eu presumi que ele estaria ocupado com o baile no fim de semana — ela corou.O baile… Emilly estava tão ocupada se preparando para esse baile que nós dois mal tivemos um tempo juntos. Desde nosso beijo eu não conseguia parar de pensar nela. Emilly tinha dominado tudo em mim como nenhuma outra, e agora que eu tinha me permitido viver esse sentimento eu não podia mais ficar sem ela.— Você está inventando desculpas, Maggie — eu murmurei, mas deixei o assunto de lado só entrar no refeitório.Nós entramos na fila para conseguir o almoço, fingindo uma normalidade que
Emilly Um ritmo diferente começou, me fazendo arregalar os olhos antes de olhar para Cillian. — Cill, eu nunca dancei nada assim — eu sussurrei, me aproximando um pouco dele.Ele deu um pequeno sorriso enquanto olhava em volta, parecendo desconfortável. — Tarde demais para desistir — ele respirou fundo, parecendo se esforçar para se manter no controle.— Isso é como um Tango? — Eu endireitei a postura, me lembrando das aulas que tive.— Você sabe dançar Tango? — ele perguntou incerto.— Sim…— Então faça o primeiro movimento, Em… — Seus olhos se fixaram intensamente em mim fazendo um arrepio percorrer meu corpo.Eu o rodeei em passos lentos, passando a ponta dos dedos por seus ombros, traçando uma linha suave pelo tecido do smoking, sentindo seus ombros tensos sob meu toque até estar novamente na frente dele.Cillian me seguiu com o olhar o tempo todo. Suas mãos vieram até minha cintura, me rodando, para que eu ficasse de costas para ele. Ainda segurando minha cintura ele me inc
CillianFrancis observou Josephine se afastar com uma expressão afetada antes de se virar para Emilly, aproveitando que a atenção de todos estava sobre os dois. Os primeiros acordes de Moon River começaram a soar, Francis se levantou, estendendo a mão a filha.— Não tem ninguém dançando, pai — ela franziu o cenho olhando em volta apesar de aceitar o convite.— Agora terá — ele garantiu.Um pequeno sorriso chegou aos meus lábios. Ela parece não ter compreendido que o mundo se molda aos desejos de Francis e não o contrário.Ela caminhou com elegância ao lado do pai, captando o olhar de todos. Deus, como ela é linda!Francis a rodou antes de firmar a mão em suas costas, começando a guia-la pela pista com passos firmes e elegantes. Emilly o acompanhava com os olhos fixos nele e um pequeno sorriso nos lábios.Minhas mãos formigaram diante do desejo de estar no lugar dele, sentir sua pele com meus dedos, firmar minha mão em sua lombar e conduzi-la pela pista. Emilly tinha toda a graça e





Último capítulo