Mundo de ficçãoIniciar sessãoEm Los Angeles dos anos 50, onde o glamour de Hollywood convive com a escuridão dos negócios ilícitos, três vidas são empurradas para um mesmo destino perigoso. Emilly, a recém descoberta herdeira Kinahan, tem sua história marcada por segredos e traumas que nenhum olho deveria testemunhar, e encontra proteção em Cillian Barnes, o homem encarregado de mantê-la segura, mas que falhou no momento mais crucial. Devastado pela culpa, Cillian faz de sua missão pessoal reconstruir o que não pôde impedir. Mas quando Arthur Holbech, um professor de astronomia que só queria sobreviver a uma noite social, cruza o caminho de Emilly, algo desperta nele. Um fascínio silencioso, imprudente, impossível de admitir diante do olhar vigilante dos Kinahan. Dois homens, tão diferentes quanto luz e sombra. Uma jovem que nunca foi livre para escolher. E um mundo onde sentimentos podem ser mais perigosos que qualquer arma. À medida que festas opulentas escondem ameaças, alianças e verdades sufocantes, Emilly, Cillian e Arthur se veem presos em um triângulo onde amor, dever e sobrevivência se confundem. Porque em Hollywood, ninguém ama impunemente, e muito menos quando o amor envolve sangue Kinahan.
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A ansiedade me invadiu ao ver o ônibus que partiria em direção a Palm Springs parado, aguardando por seus passageiros, a poucos metros de onde eu estava.
Se tudo desse certo, em breve eu embarcaria rumo a uma nova etapa de minha vida. Respirei fundo na tentativa de me acalmar enquanto ajustava as luvas negras que cobriam minhas mãos.
Apanhei um cigarro em minha bolsa, desejando ter uma piteira à disposição. Mas em breve eu teria dinheiro para tudo isso.
— Bom dia, senhorita — um homem de meia-idade sentou-se ao meu lado, apanhando seu isqueiro para acender o cigarro que tinha acabado de prender em meus lábios.
— Bom dia, senhor — suspirei após soltar a fumaça da primeira tragada.
— Está um belo dia hoje, não? — ele comentou despreocupado, fazendo-me finalmente olhar em sua direção.
Ele devia ser uns trinta anos mais velho do que os meus vinte e três, mas eu não tinha certeza. Seus cabelos desbotados e o bigode combinando transformavam o seu olhar sobre mim em uma expressão vulgar.
Mas o que eu poderia fazer? Aquele homem tinha o meu futuro em suas mãos. Literalmente.
— O senhor trouxe? — questionei sem rodeios.
— Fico feliz que tenha aceitado a minha proposta, minha querida — ele sorriu, ainda me avaliando. — Foi a decisão mais acertada que você poderia ter tomado.
Revirei os olhos, mordendo o interior das bochechas para não ser atrevida com aquele homem. Por sorte, seria por pouco tempo.
— Você e meu filho... nunca dariam certo, entende? — ele prosseguiu, colocando uma maleta sobre as pernas. — E, de uma forma ou de outra, nós conseguimos nos entender, e você conseguiu o que tanto queria.
— Eu não gosto de perder meu tempo, senhor — olhei em seus olhos após soltar novamente a fumaça — então, se nós tivermos um acordo, o senhor pode me entregar a maleta e seguiremos nossas vidas.
O homem me avaliou por um momento, ainda com aquele olhar superior. Se ele pensa que poderá me intimidar, está muito enganado.
— É bom que você cumpra sua parte do acordo, senhorita — ele ergueu as sobrancelhas antes de entregar a maleta.
— Eu cumprirei se aqui tiver os cinco mil dólares que o senhor me prometeu — garanti, abrindo os fechos metálicos e conferindo as notas ali presentes.
— O que você pretende fazer? — ele questionou por fim. — Como pretende explicar todo esse dinheiro?
— Serei apenas uma jovem viúva refazendo a vida em outro lugar, senhor — garanti, levantando-me. — Não precisa se preocupar, o senhor nunca mais terá notícias minhas.
Senti seus olhos violeta, que eu considerava muito interessante em seu filho, mas totalmente desprezível nele, descerem pelo meu corpo, fazendo com que me sentisse enojada. Apenas mais alguns minutos e tudo isso ficará para trás.
— Eu quero você longe da vida do meu filho, senhorita — ele se levantou também. — Mas nós dois podemos manter contato. Eu ainda tenho muito o que te oferecer.
— Essa não é a maneira apropriada de se falar com uma jovem e respeitável viúva, senhor — enfatizei, encarando-o com desprezo.
Eu não estava disposta a descer tão baixo.
— Jovem respeitável… essa foi uma ótima piada, senhorita — ele gargalhou antes de se afastar. — Até nunca mais.
Observei-o por alguns segundos antes de seguir em direção ao ônibus. De uma forma ou de outra, eu alcancei o meu objetivo!
Emilly Eu apressei meus passos em direção a porta dos fundos da casa que daria acesso a grande varanda que tomava toda a parte traseira da casa. Eu bati a porta com força, respirando fundo tentando controlar meus batimentos cardíacos enquanto as lágrimas ameaçavam chegar aos meus olhos.Aquele idiota! Eu vi a droga do osso dele e ele queria me convencer que não estava sentindo dor!Por que homens têm que ser tão estúpidos?Caminhei até o guarda corpo de pedra, me apoiando ali, observando a piscina que era facilmente acessada através de uma escada.Ele podia ter morrido. Aquela constatação me apavorava e me irritava. Não demorou para que a porta fosse aberta novamente. Eu não precisei olhar para sentir a presença de meu pai. Eu sabia que eu tinha demonstrado mais do que deveria na frente dele, mas naquele momento, eu não conseguia me importar menos com sua desconfiança.Ele parou ao meu lado, me observando por um momento, permanecendo em silêncio, provavelmente esperando que eu o q
Emilly — Eu estou te falando, ela está com um anel no dedo, mas não falou nada sobre o assunto — Scarlett contou enquanto caminhávamos lado a lado ao fim do dia. — Ele parecia querer me contar algo ontem, talvez seja isso — eu devolvi pensativa, me sentindo culpada por ter perdido uma informação tão relevante para passar alguns minutos a mais com Arthur.Mas eu tinha garantido ao meu pai que dormiria em casa hoje e poderia passar algum tempo com ele. Na verdade, estava indo encontrar Cillian naquele momento.Meu pai…Eu nunca pensei que me apegaria tanto ao homem que parecia ser tão aterrorizante e controlador. Na verdade, eu nunca pensei em receber nenhuma forma de carinho vindo dele, mas a cada dia eu me surpreendia com aquele sentimento que crescia dentro de mim. Seria amor?Seja o que fosse, era algo que eu nunca havia sentido antes. Nem mesmo por Vivienne em toda a minha vida. Sim, eu vivia para agradá-la e tentando conseguir sua aprovação, mas eu agia por medo e constrangime
ArthurAs primeiras estrelas surgiam no céu enquanto eu montava o telescópio no Mirante. Aquela cena não era nada fora do normal, eu já tinha feito aquilo dezenas de vezes para observar o céu. Mas seria a primeira vez que eu não estaria sozinho.Eu ajustei a lente do telescópio, buscando a lua no céu enquanto pensava em Emilly, tudo tinha corrido bem no encontro com seu pai, e em breve nós dois passaríamos a ser mais do que apenas um professor e uma aluna da Huntington, e sim, um casal poderoso.Tudo estava saindo conforme o planejado.— Algo me diz que nosso encontro de hoje será bem interessante — a voz de Emilly chegou aos meus ouvidos.Um sorriso chegou aos meus lábios ao ouví-la. Eu me afastei do telescópio indo até onde ela estava, segurando seu rosto com ambas as mãos antes de beijá-la.— Você veio — eu me afastei minimamente dela.— Eu disse que viria — sua mão veio até a minha. Acariciando minha pele.Emilly se afastou por um momento, indo até o guarda corpo, observando a pai
Emilly.— Deixa eu ver se eu entendi. O seu pai e a senhorita Hayes… — Hellen abaixou a voz para um sussurro.Hellen e Betty ficaram eufóricas com a presença do meu pai no Campus. Nós nos sentamos em um banco próximo a fonte, observando o movimento ao nosso redor.— É complicado. Eles tiveram um relacionamento há um tempo, mas terminou — eu tentei ser vaga para não expor a vida privada de ambos — não sei porque ele está procurando por ela.— Eu nunca pensei que teria tanta inveja de uma enfermeira do campus — Betty suspirou.Eu a encarei, erguendo ambas as sobrancelhas, esperando uma explicação sobre sua frase.— O que foi? Desculpe, mas seu pai é um pecado de terno — Ela zombou, me arrancando uma careta. Já não basta Maggie manter um relacionamento com meu pai, agora isso?— Betty — Connie respirou fundo.— O que? Vai falar que você não se ofereceria para a vaga de madrasta se soubesse que…— Betty, essa vaga já foi ocupada, então nem sonhe com isso. E eu realmente prefiro não ouvi





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