"Entre as rachaduras da fortaleza que ele construiu, eu descobri o homem - e agora, mesmo na escuridão, sou o eco que ele não consegue calar." - Luna Castilho
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As palavras dele ainda queimam em mim, como brasas encostadas à pele.
"Você... mudou coisas que eu nunca pensei que pudessem mudar."
Não foram palavras leves. Não foram palavras ditas para preencher um espaço. Vieram arrastadas, densas, como se tivessem sido arrancadas à força de um cofre interno, onde ele tranca tudo aquilo que o faria parecer humano demais. E é por isso que eu soube, naquele instante, que Fernando estava se despindo diante de mim - não do corpo, mas da alma. Não completamente. Mas em pedaços. Pedaços que ele nunca ofereceu a ninguém.
Minha mão continuou na dele por mais tempo do que deveria. Não preciso ver para saber o que há nos olhos dele. É um campo minado entre ódio e desejo, culpa e necessidade. O silêncio que se instalou entre nós era denso, quase palpável, como um quarto escuro onde só o toque exis