“Entre as ruínas do homem feito de guerra e o toque da mulher feita de escuridão, somos dois desarmados tentando encontrar, um no outro, o caminho de volta para casa.” — Luna Castilho
🖤
Ele disse que eu o desarmo. Não foi um sussurro tímido nem uma confissão trivial — foi uma fratura, uma rachadura na pedra. Poucas palavras, mas carregadas com o peso de um homem que aprendeu a esmagar antes de ser esmagado. Desde então, esse verbo não sai da minha cabeça. Desarmo.
Um verbo perigoso para um homem como Fernando Torrenegro. Um homem que ergueu seu nome sobre medo, sangue e silêncio. Que transformou o poder em segunda pele. E, mesmo assim, ele o disse. Como se cada sílaba fosse uma chave girando nas fechaduras que ele manteve trancadas a vida inteira. E eu senti cada uma delas no corpo — como se, pela primeira vez, ele me deixasse atravessar a fortaleza.
Naquela noite, o silêncio entre nós era tão denso que parecia ter peso. Não era um silêncio de distância. Era um silêncio vivo, que