"No escuro eu leio suas fissuras: sou porto que o desarma e batalha que o prende."
— Luna Castilho
🖤
Aprendi cedo a morar na noite. A escuridão não é vazio — é mapa: cheiros, respirações, o peso das presenças. Onde os olhos falham, o corpo aprende a ler. E eu leio Fernando como quem decifra um código antigo: nos sulcos da voz, no tropeço discreto do passo, no modo como o ombro tensa antes de relaxar. Ele acha que me engana com aço e silêncio. Não engana.
Quando ele chega, não é só desejo que o puxa. Há pressa, como se cada segundo fosse escasso; há contenção, como se o mundo ameaçasse desabar se ele ceder totalmente. Vejo-o medindo riscos no ar. Ouço, no sopro que vem do peito dele, a hesitação que ele não admite. Sinto — com a certeza das coisas que a visão nunca alcança — o medo que lateja sob a couraça. Medo de se perder, medo de precisar, medo de que aquilo que o atravessa seja mais do que um capricho.
E é esse medo que o torna mais belo e mais perigoso. Porque quando suas mãos m