Mundo ficciónIniciar sesiónDois milhões de dólares. Esse é o preço exato da minha alma. Para salvar o abrigo de crianças da minha família da demolição iminente, eu fui forçada a entrar no covil do próprio diabo de Wall Street: Arthur Sterling. Ele é o CEO mais implacável, frio e temido de Nova York. Um homem esculpido em gelo e vestido em ternos sob medida, que destrói empresas antes do café da manhã. Ele não quer a minha arquitetura. Ele não quer o meu corpo. Para garantir uma fusão bilionária e limpar a sua imagem de predador corporativo, Arthur precisa de uma esposa de fachada com uma reputação impecável. E ele decidiu comprar a minha. O contrato de um ano é claro e sem espaço para negociações: dormiremos em camas separadas, sorriremos apaixonadamente para as câmeras da elite e, sob nenhuma hipótese, nos tocaremos quando as portas da sua cobertura triplex se fecharem. A regra de ouro é não sentir nada. Mas Arthur esqueceu de colocar no papel o que fazer quando a nossa convivência forçada se transforma em um inferno de atração. Cada farpa carregada de ódio que trocamos incendeia o ar, e a frieza do meu falso marido começa a desmoronar. O homem que exigiu distância agora rosna se outro olhar cruzar o meu caminho, e a linha entre o ódio e o desejo se torna perigosamente fina. Mas eu cometi o erro fatal de achar que corações de gelo podem amar. Quando uma armação vem à tona no clímax do nosso acordo, a crueldade implacável de Arthur retorna, e ele me joga de volta nas ruas sem olhar para trás. Quebrada, eu assino os papéis do divórcio e desapareço do mundo dele para sempre, levando comigo um segredo no meu ventre que mudará tudo.
Leer másO silêncio do 80° andar da Sterling Enterprises não só não ter som, era opressor. O escritório de Arthur Sterling parecia ter sido esculpido de um bloco de gelo e poder. As paredes de vidro do chão até o teto ofereciam uma vista panorâmica de uma metrópole que poderia rastejar ao seus pés, sobre um céu nublado que parecia a cor de seus olhos. O piso de mármore escuro refletia a luz da tarde, e a única peça de mobília que não transmitia hostilidade era a grande mesa no centro.
Arthur dispensou o diretor financeiro com um aceno de mão, sem nem levantar os olhos do relatório trimestral na sua frente. O homem com o dobro da idade do CEO murmurou um "sim, senhor" patético e recuou rapidamente em direção as portas duplas. Arthur suspirou, um som baixo que carregava o peso de um tédio autoritário. Ele afrouxou um pouco a gravata de seda italiana que custava mais do que a maioria de seus funcionários ganhava em seis meses. O ar no seu redor cheirava a sândalo.
Quando as portas duplas de carvalho se abriram de novo, não foi um executivo que apareceu. Foi Elena.
Ela andou para dentro com as costas absurdamente ereta, os ombros tensos no blazer de lã marinho que ela tinha comprado em um brechó há três anos. A cada passo que ela dava no tapete persa de valor inestimável, seus sapatos de salto baixo, que dava para ver que estavam desgastados nas bordas, afundavam no tecido grosso, uma metáfora cruel para a situação em que se encontrava. Ela estava afundando. A dívida enorme deixada pelo desfalque criminoso do ex-sócio do seu falecido pai ameaçava não só a sua casa, mas o abrigo para jovens vulneráveis que sua família tinha construído com sangue e suor.
Mesmo assim, Elena levantou o queixo. Seus cabelos castanhos estavam presos em um coque firme, sem nenhum fio fora do lugar, uma tentativa de manter o controle de pelo menos uma coisa na sua vida. Seus olhos amendoados, transmitindo pânico e orgulho, se fixaram no homem atrás da mesa. A diferença entre eles era nítida. Ele era o deus do Olimpo corporativo, em um terno sob medida em seus ombros largos, ela era a mortal prestes a ser sacrificada no altar do capitalismo.
Arthur finalmente levantou o olhar. O cinza de seus olhos bateu com o castanho quente e desafiador dos dela. O impacto veio, uma faísca que fez os pelos dos braços de Elena se arrepiarem nas mangas do blazer. Ele não sorriu. Ele não ofereceu uma cadeira.
-Você está exatamente três minutos atrasada, Srta. Rostova. -A voz de Arthur era perigosa, profunda, capaz de acariciar e degolar ao mesmo tempo. -Meu tempo é o ativo mais caro deste edifício. Sugiro que não o desperdice com desculpas.
Elena parou a três passos da mesa, cruzando os braços de forma defensiva para esconder sua mão que estava começando a tremer um pouco. A sala parecia ter perdido dez graus Celsius.
-Eu não vim pedir desculpas, Sr. Sterling. O trânsito caótico de Nova York não se curva à sua conta bancária de onze dígitos, por mais que isso deva frustrar o seu ego. — A resposta saiu rápida, afiada. Ela viu o maxilar rígido dele se contrair. — Vim discutir a execução da hipoteca do Abrigo Esperança. Uma dívida que sua subsidiária comprou ontem, coincidentemente, vinte e quatro horas depois do meu pedido de extensão de prazo.
Arthur se encostou na cadeira, unindo as pontas dos dedos em um gesto de quem tem o mundo na palma da mão. O olhar dele apenas a avaliou de cima a baixo de forma tão lenta que parecia uma invasão. Ele observou a roupa simples, a falta total de maquiagem, a bravura estúpida em sua postura.
-O mundo dos negócios não é uma instituição de caridade de esquina, Elena. A dívida da sua família é de dois milhões de dólares com juros compostos. Um erro de arredondamento nos meus relatórios financeiros, concordo. Mas um erro que não pretendo ignorar por sentimentalismo.
-Sentimentalismo? -Elena deu um passo à frente, a indignação a fazendo perder a compostura calculada. -Estamos falando de cinquenta crianças que ficarão literalmente nas ruas até sexta-feira se o senhor assinar aquela ordem de despejo. Para você é um erro de arredondamento, para mim, é uma sentença de morte para dezenas de vidas inocentes!
-Então, é uma sorte sua que eu tenha um uso muito específico para você que vale, por coincidência, exatamente dois milhões de dólares. -Arthur disse com a mesma naturalidade que pediria um café expresso duplo ao seu assistente.
O silêncio que se seguiu foi sufocante. Elena franziu a testa, o peito subindo e descendo rápido e pesado. As luzes de LED frias e embutidas em cima deles pareciam zumbir.
-O que o senhor quer dizer com isso? Eu sou arquiteta, não... seja lá o que o senhor acha que pode comprar com esse dinheiro imundo.
Arthur descruzou os dedos e apoiou as palmas das mãos na mesa, impulsionando seu corpo para cima. A sombra que ele projetou pareceu engolir a claridade da sala. Ele era muito alto. O terno azul-marinho se encaixava de forma perfeita na musculatura, e a maneira como ele deu a volta na mesa teve a graça de um predador encurralando sua presa.
O elevador subiu quarenta andares em silêncio. O espaço parecia se encolher a cada segundo. A viagem inteira desde a saída abrupta do Waldorf Astoria foi chei de tensão entre eles. Nenhuma palavra foi dita no carro. Nenhuma desculpa. Nenhum som. A porta do elevador se abriu. Arthur saiu primeiro. Ele caminhou com passadas largas até o centro da sala de estar. Ele não olhou para trás. Ele não precisava. O barulho do salto agulha no piso o avisava de que Elena estava a poucos passos de distância. Ela cruzou a entrada. O ar-condicionado central soprava um vento frio direto na pele nua das costas dela. O choque térmico fez ela se arrepiar. Ela soltou a bolsa de festa de qualquer jeito. - Você passou de todos os limites. - A voz de Elena cortou o silêncio. A fúria em cada sílaba. Arthur parou no meio do tapete. Ele virou de frente para ela. O smoking escuro parecia pequeno demais para a tensão que inchava os músculos das costas dele. Ele segurou as pontas da gravata-borboleta e deu um
Spencer deu um passo para frente e pegou a mão esquerda de Elena. Ele curvou as costas e beijou a mão dela. A boca dele demorou um segundo a mais do que a educação exigia. - Elena. Uma visão estonteante, como sempre. Ouvi dizer que o seu marido a deixou trabalhando duro no subúrbio. Se precisar de uma carona de volta para Manhattan na próxima vez, o meu motorista está sempre a disposição. A mão de Arthur apertou mais ainda a pele dela com uma força que quase a fez dar um sobressalto. Ele deu meio passo para a frente, entrando no espaço pessoal do outro homem. O ombro de Arthur cobriu Elena. - Solte a mão da minha esposa, Spencer. - -A ordem saiu baixa. Spencer soltou a mão dela na hora. O sorriso arrogante do rapaz sumiu, substituído por confusão e medo. - Foi apenas um cumprimento, Arthur. Sem ofensas. - O seu tio está na mesa quatro tentando explicar a queda de rendimento do trimestre passado. Sugiro que você vá ajudá-lo com a matemática em vez de oferecer caronas que não pod
O tecido preto de veludo passava pelas pernas de Elena. O tecido era grosso, caindo reto do quadril até o chão do quarto de hóspedes. Na frente, a gola alta fechava no pescoço. Mas as costas eram o oposto. O corte profundo em formato de "V" deixava a pele toda nua desde a nuca até a curva da lombar. O ar frio da cobertura arrepiava a pele desprotegida dela. Ela colocou os brincos finos de platina na frente do espelho. O relógio que Arthur tinha lhe dado no pulso esquerdo. Nenhuma outra joia. Ela ouviu um bipe eletrônico no corredor. O elevador privativo tinha chegado. Elena soltou a respiração, cravou as unhas nas mãos e caminhou para fora do quarto. Arthur estava parado no centro da sala de estar. Ele não usava a roupa da viagem. Ele vestia um smoking preto feito sob medida, e uma gravata borboleta perfeitamente alinhada. Ele tinha cruzado o Atlântico em tempo recorde, mas mesmo assim ele não demonstrava cansaço nenhum. O som do salto agulha de Elena bateu no piso. Arthur vi
A parede preta do outro lado da sala piscou. Uma tela de videoconferência de oitenta polegadas ligou automaticamente, saindo do modo de descanso. O painel da mesa de Arthur acendeu. O sistema de prioridade executiva não exigia que alguém atendesse, ele simplesmente abria o canal. Elena girou o corpo na mesma hora. Arthur estava na tela. O cenário atrás dele não era um escritório. Era uma suíte de luxo com janelas que mostravam o céu noturno e chuvoso de Paris. Ele usava a camisa do terno escuro, mas sem a gravata. Os dois primeiros botões estavam abertos. O paletó tinha sido jogado no encosto de uma cadeira no fundo. Ele estava com um copo de uísque com gelo na mão direita. O cansaço deixou sombras abaixo dos olhos. Ele parou o copo no meio do caminho até a boca. O silêncio entre os dois durou uns cinco segundos. - A assistente disse que você estava no anexo de vidro. A voz dele saiu grave pelos alto-falantes ocultos na parede. - O que está fazendo na minha mesa, Elena? El
Último capítulo