Capítulo 7

-Para de se mexer. -Ele guardou o celular no bolso interno do paletó. 

-Eu não estou me mexendo. -Ela mentiu, cruzando os braços. 

Arthur suspirou. Um som curto e cansado. Ele deu um passo para a esquerda e passou o braço pela cintura dela. A mão grande e quente dele apertou a pele nua das costas de Elena pelo recorte do vestido. O choque térmico a fez prender a respiração. 

-Respire. -A voz dele saiu baixa, bem perto do ouvido dela. - E sorria. O show começou. 

As portas de metal se abriram. 

O barulho atingiu Elena como um soco no peito. Era uma mistura caótica de conversas altas, música de jazz tocada ao vivo por uma banda no canto, o som constante de taças de cristal batendo umas nas outras e o clique rápido de dezenas de câmeras. O salão principal do edifício tinha sido transformado. Lustres imensos de cristal refletiam a luz quente em arranjos enormes de orquídeas brancas espalhados pelas mesas. O cheiro de perfumes caros, rosas, âmbar, tabaco doce, enchia cada espaço no ar, tornando a respiração difícil. 

Os fotógrafos se aglomeravam detrás de uma corda grossa de veludo vermelho logo na entrada. Quando viram Arthur, os flashes dispararam ao mesmo tempo, eram muitos e cegavam. 

Elena piscou várias vezes, os olhos ardendo pela luz forte. Ela recuou meio passo por puro instinto de fuga. 

Arthur não deixou. Os dedos dele apertaram a cintura dela com mais força, afundando na pele, e ele a puxou em direção ao próprio corpo. O quadril dela bateu contra a coxa dele. 

-Queixo para cima. Não olhe para o chão. - Ele murmurou, o sorriso perfeito e ensaiado nos lábios não mudando nada na expressão fria dos olhos dele. 

Eles caminharam pelo longo tapete vermelho de entrada. Jornalistas se empurravam e gritavam perguntas uma em cima da outra, tentando chamar a atenção do bilionário. 

-Sr. Sterling, quando exatamente foi o pedido de casamento? 

-Elena, vocês planejam se casar em Nova York ou na Europa? 

Arthur parou de andar por dois segundos. Ele olhou para Elena, tocou o rosto dela com a mão livre, fingindo afastar uma mecha de cabelo que nem estava fora do lugar, e virou o rosto para as câmeras com um sorriso. 

-O pedido foi particular e apenas entre nós. Assim como a nossa vida será daqui para a frente. Com licença. 

Ele levou ela para longe dos repórteres, entrando no meio dos convidados. Pessoas de terno sobre medida e vestidos longos bordados abriram espaço no salão. Alguns sorriam e acenavam com a cabeça, outros sussurravam cobrindo a boca com as mãos e olhando diretamente para o colar no pescoço de Elena. 

Ela sentia as pernas doloridas. O salto agulha fino demais começava a machucar o calcanhar a cada passo que dava. 

-Você foi bem. - Arthur murmurou. Ele pegou duas taças finas de champanhe da bandeja de prata de um garçom que passava apressado. Ele entregou uma taça a ela. - Beba. Vai ajudar a relaxar os seus ombros. Você está dura como uma estátua. 

Ela deu um gole rápido. O líquido dourado e gelado desceu rasgando pela garganta seca. 

-Arthur! - Um homem bem mais velho, com o rosto vermelho, cabelos brancos e um charuto apagado entre os dedos grossos, acenou do outro lado do salão, perto das janelas. 

Arthur travou o maxilar. O músculo no rosto dele saltou. 

-É o Richard Hayes. Principal acionista do conglomerado europeu. Eu preciso falar com ele agora. É urgente. 

-E eu? - Elena segurou a taça de cristal com força, o pânico subindo pelo estômago. 

-Fique aqui. Perto do bar de gelo. Não fale com os jornalistas em hipótese nenhuma. Não beba mais do que essa taça. Eu volto em dois minutos, no máximo. 

Arthur soltou a cintura dela. O frio do ar-condicionado do salão bateu direto na pele molhada de suor das costas de Elena onde a mão dele estava antes. Ele se afastou com passos largos, sumindo rápido no meio dos ternos escuros e conversas animadas. 

Elena ficou sozinha. Ela encostou o quadril na borda fria do balcão iluminado, observando o salão em movimento. As mulheres usavam joias pesadas que brilhavam sobre os lustres. Os homens discutiam números, ações e política aos sussurros com os copos de uísque nas mãos. 

Ela não pertencia àquilo. E, a julgar pelos olhares disfarçados que recebia, todo mundo ali sabia disso. 

-Eu apostei trezentos dólares com o meu pai que você usaria vermelho. Mas verde também é uma boa cor para o desespero. Combina com você. 

A voz fina, suave e um pouco anasalada veio da direita. 

Elena virou a cabeça. Uma mulher alta parou ao lado dela. Ela era loira, usava um vestido prateado colado ao corpo que parecia feito de metal líquido e segurava uma taça de martini. O sorriso dela era afiado, falso, mostrando dentes brancos e perfeitamente alinhados. 

-Desculpe, eu conheço você? - Elena perguntou. Ela manteve a voz neutra e reta. 

A mulher soltou uma risada curta pelo nariz. 

-Chloe Vance. Meu pai faz parte do conselho da Sterling Enterprises. E eu conheço o Arthur desde que tínhamos quinze anos de idade. Nós frequentamos os mesmos clubes no verão. 

Chloe deu um gole no martini, olhando Elena de cima a baixo sem disfarçar o desgosto. O olhar dela parou e demorou no colar de esmeraldas.

-É uma joia muito bonita. A coleção de inverno do ano passado da Cartier, se não me engano. Ele comprou isso para a última namorada usar em um evento em Paris, mas acho que ela reclamou do peso no pescoço. O Arthur sempre reaproveita presentes quando não tem tempo para comprar um novo. 

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