Capítulo 5

Ela quase não teve tempo de afastar a seda das pernas quando a campainha da cobertura ecoou pelos corredores silenciosos. Segundos depois, a pesada porta do seu quarto foi aberta sem qualquer cerimônia. Uma equipe de cinco mulheres, todas vestidas em terninhos pretos e carregando pranchetas, invadiu o com a eficiência militar de um esquadrão de choque. Atrás delas, araras de metal se arrastavam pelo piso, ostentando vestidos de alta-costura com capas de plástico, enquanto maletas de couro cheias de maquiagem e caixas eram empilhadas na cama king-size.

Elena foi para trás na cama, puxando o roupão felpudo ao redor do corpo. Ela era tratada não como a dona da casa, mas como um manequim de luxo, uma boneca prestes a ser montada para a vitrine do bilionário. As próximas três horas foram um borrão de humilhação. Dedos puxavam seu cabelo, pincéis muito caros espalhavam camadas de disfarce para sua exaustão, e fitas métricas apertavam sua cintura. O ar do quarto se tornou sufocante, impregnado com o cheiro doce de laquê de grife, pó translúcido e o suor frio do seu próprio nervosismo.

Quando a líder da equipe finalmente fechou o zíper nas suas costas, um silêncio tomou conta do quarto. Elena foi empurrada de forma gentil em direção ao imenso espelho de cristal que ocupava a parede inteira.

O ar sumiu dos seus pulmões.

O vestido era uma obra-prima letal de seda na cor verde-esmeralda. O tecido abraçava suas curvas, escorrendo pelo seu corpo como água. O decote em "V" era profundo, elegante, parando perto do inaceitável, enquanto as costas estavam toda expostas até o início da lombar. Uma fenda rasgava a lateral da saia até o alto da coxa, exigindo que ela ficasse perfeitamente reta. A maquiagem esfumaçada escurecia seus olhos amendoados, e os lábios estavam pintados em um tom de vermelho fosco. Ela parecia uma arma carregada. A arquiteta endividada e desesperada do Brooklyn tinha sido aniquilada, no seu lugar, brilhava uma versão poderosa de si mesma.

- Sr. Sterling está esperando na sala principal para a aprovação final. — A voz da stylist quebrou o transe de Elena.

Ela levantou o queixo, transformando a raiva em uma armadura, e desceu a escada de vidro.

Arthur a esperava no centro da sala de estar. Ele servia dois dedos de uísque puro em um copo de cristal pesado. O terno que ele usava era um smoking feito sobre medida em azul-noite com cetim preto, esculpido nos seus ombros largos que gritava poder e dinheiro. Quando ouviu o clique dos saltos dela no mármore, Arthur se virou.

O copo de cristal parou no meio do caminho até a boca dele.

Por um segundo a máscara inquebrável do CEO de gelo caiu. Os olhos de Arthur escureceram na mesma hora para um tom de chumbo. O olhar dele desceu pela extensão pálida do pescoço de Elena, mergulhou no decote de esmeralda, acompanhou a curva do quadril que a fenda mostrava, e subiu de volta para cravar na boca vermelha dela. A fome crua, possessiva que brilhou naqueles olhos fez o coração de Elena golpear as costelas com força. A tensão sexual incendiou a cobertura inteira.

Mas, tão rápido quanto a máscara quebrou, ele voltou ao normal. Arthur piscou, a frieza substituindo o desejo imenso dele.

-O caimento no quadril é aceitável, embora a fenda esteja perto de ser vulgar para o padrão dos nossos investidores mais conservadores. - A voz dele cortou como um chicote, insensível. Ele largou o uísque no balcão de ônix preto e caminhou na direção dela, segurando uma caixa pequena de couro. - E o seu pescoço está de forma embaraçosa nu. A imprensa se alimenta de detalhes, Elena. Faltava o símbolo de propriedade.

Elena cruzou os braços, ignorando o calafrio que a aproximação dele provocava.

- Não se preocupe, Arthur. O código de barras estampado na minha testa já está visível o suficiente para quem souber ler a sua fatura de cartão de crédito.

-Um código de barras não brilha sobre os flashes dos paparazzi. Isso brilha. - Ele abriu a caixa, revelando um colar pesado de diamantes e esmeraldas colombianas lapidadas em gota que devia custar o triplo da dívida do abrigo.

Arthur não pediu permissão. Ele deu um passo a frente, acabando com o limite do espaço pessoal dela, e deu a volta nela. O calor do corpo dele foi contra as costas nuas de Elena. O contraste entre o ar-condicionado da cobertura e o calor que saia do bilionário fez a pele dela se arrepiar.

- Pare de prender a respiração, Elena. Vai acabar desmaiando antes mesmo de servirem o champanhe, -ele murmurou. O hálito quente dele, misturado com o aroma de sândalo e uísque, roçou a curva sensível do pescoço dela enquanto ele afivelava o fecho de platina. O toque casual dos dedos dele na nuca dela queimou ela como brasa.

-É quase impossível respirar quando o ambiente está do seu ego imenso, — ela rebateu no mesmo segundo, cravando as unhas nas palmas das mãos para não deixar que suas pernas tremessem. O peso frio dos diamantes assentou sobre sua clavícula, como uma ancora a realidade do contrato.

Arthur soltou uma risada ríspida, baixa e sombria. Em vez de recuar depois de colocar a joia, as mãos dele desceram de forma precisa e com uma lentidão torturante pelas costas nuas de Elena. A respiração dela falhou quando as palmas quentes e firmes dele pousaram diretamente na pele nua de sua cintura fina.

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