-Como você consegue dormir a noite? -Ela quebrou o silêncio, a voz saindo amarga, e ele não se preocupou em mascarar. Os dedos dele pararam na tela de vidro, mas ele não virou para encarar ela. -Com o ar-condicionado ajustado para dezesseis graus e em lençóis de algodão egípcio, geralmente. -A resposta veio ríspida, cheia de sarcasmo. -Não se faça de besta. -Ela se virou no banco de couro, com raiva. -Como você consegue olhar no espelho sabendo que manipula a vida das pessoas, as falências e as misérias alheias, como se fossem apenas números irrelevantes na sua planilha de lucros? Você compra seres humanos, Arthur. Você acabou de me comprar. Devagar, Arthur bloqueou a tela do tablet e virou a cabeça. O cinza de seus olhos se fixou nela, não mais com indiferença, mas com um brilho, possessivo e intenso que fez a respiração de Elena falhar. -Corrigindo a sua suposição romântica: eu não comprei um ser humano. Eu aluguei um ativo estratégico. — A voz dele era parecia um trovão baixo
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