Mundo de ficçãoIniciar sessão-Como você consegue dormir a noite? -Ela quebrou o silêncio, a voz saindo amarga, e ele não se preocupou em mascarar.
Os dedos dele pararam na tela de vidro, mas ele não virou para encarar ela.
-Com o ar-condicionado ajustado para dezesseis graus e em lençóis de algodão egípcio, geralmente. -A resposta veio ríspida, cheia de sarcasmo.
-Não se faça de besta. -Ela se virou no banco de couro, com raiva. -Como você consegue olhar no espelho sabendo que manipula a vida das pessoas, as falências e as misérias alheias, como se fossem apenas números irrelevantes na sua planilha de lucros? Você compra seres humanos, Arthur. Você acabou de me comprar.
Devagar, Arthur bloqueou a tela do tablet e virou a cabeça. O cinza de seus olhos se fixou nela, não mais com indiferença, mas com um brilho, possessivo e intenso que fez a respiração de Elena falhar.
-Corrigindo a sua suposição romântica: eu não comprei um ser humano. Eu aluguei um ativo estratégico. — A voz dele era parecia um trovão baixo dentro do espaço fechado, vibrando no peito dela. Ele inclinou um pouco o tronco na direção de Elena, o perfume amadeirado entrando nas narinas da arquiteta. - Mas já que você tocou no assunto da posse, entenda bem as regras do jogo, Elena. Para a mídia, para os meus acionistas e para o mundo lá fora, você agora é minha. Você é a futura Sra. Sterling. O meu nome carrega o peso de um império de bilhões, e eu sugiro que você comece a agir como se pertencesse a ele.
O Maybach parou devagar. A porta se abriu, revelando o hall de mármore da garagem de um dos edifícios mais exclusivos de Manhattan. Um elevador com leitura biométrica esperava.
Arthur não disse mais nada até que o elevador subisse, abrindo suas portas direto na cobertura triplex. O choque cultural atingiu Elena como uma tapa.
O espaço parecia um monumento. O pé-direito duplo ostentava janelas que iam do chão ao teto, mostrando o horizonte da cidade em uma tela panorâmica. Porém, o luxo era sufocante. Tudo era branco, cinza-chumbo, vidro ou aço. Móveis de grife italiana. Não tinha uma única foto em porta-retratos. Não tinha um livro fora do lugar. Não tinha uma manta amassada no sofá imenso, nem flores, nem cores quentes. A cobertura o lobby de um hotel de cinco estrelas: caríssimo, e desprovido de alma ou calor humano.
- Bem-vinda a sua prisão de ouro. - Arthur murmurou, pendurando o paletó no cabideiro perto da entrada, sem olhar para trás.
Ele começou a caminhar pelo piso de mármore, esperando que ela seguisse ele. Elena arrastou os pés, se sentindo uma intrusa pisando em um museu. Eles passaram pela sala de estar e entraram em um corredor. Arthur parou na frente de uma porta dupla e abriu ela, mostrando um quarto de hóspedes que era maior do que o apartamento inteiro que Elena dividia com a irmã antes de ela ir para a faculdade. A cama king-size parecia uma ilha no meio de um oceano.
- Seus pertences vão chegar em breve. O closet a esquerda tem algumas roupas de grife que a minha assistente providenciou usando as suas medidas, para que você pare de se vestir como se ainda estivesse na faculdade buscando uma bolsa de auxílio. - As palavras dele eram afiadas. - O banheiro é privativo.
Elena engoliu a humilhação, cruzando os braços.
-Tem alguma regra, carcereiro?
Arthur virou o rosto para a encarar, o rosto endurecendo.
- Várias. Mas vamos começar pelas principais. O corredor oeste é proibido. Meu escritório em casa fica lá. Se você cruzar aquela linha, o contrato é cancelado e eu executo a dívida no mesmo segundo. Não toque em nada que não te pertença, não fale com a imprensa de jeito nenhum e, acima de tudo, não me perturbe quando a porta do meu quarto estiver fechada.
Ele deu um passo para trás.
-Descanse e aproveite a vista, Elena. O seu conto de fadas inventado começa oficialmente na sexta-feira a noite.
-O que tem na sexta-feira a noite? - Ela perguntou, a voz falhando enquanto ela percebia finalmente a gravidade da situação.
O sorriso nos canto dos lábios de Arthur foi frio e deu medo.
-Em exatas quarenta e oito horas, nós daremos a nossa primeira festa de noivado para a elite de Nova York. A cidade inteira virá para avaliar a mulher misteriosa que conseguiu laçar o CEO. — Ele semicerrou os olhos, a voz baixando. - Esteja pronta até lá, minha querida futura esposa. O show vai começar, e eu não tolero falhas no roteiro.
A luz da manhã que invadia a cobertura triplex não tinha nenhum calor. Filtrada pelas imensas vidraças do chão ao teto, ela iluminava o quarto de hóspedes com a mesma claridade de uma sala de cirurgia. Elena acordou debaixo do peso de lençóis de algodão egípcio de mil fios, o corpo dolorido pela tensão de uma noite acordada. O teto de gesso impecável em cima dela era o lembrete de que o pesadelo não tinha acabado, pelo contrário, tinha só começado.







