Mundo de ficçãoIniciar sessão-Você superestima muito o seu próprio charme se acha que o meu interesse é apenas carnal, Srta. Rostova. O que eu preciso não é de uma companhia na minha cama para aquecer meus lençóis de seda. -A voz dele baixou enquanto ele diminuía a distância. A fragrância amadeirada dele atingiu Elena, substituindo o oxigênio ao redor. -Eu preciso de uma esposa.
Elena soltou uma risada ríspida sem nenhum humor, recuando meio passo por instinto de sobrevivência.
-Uma esposa. -Ela repetiu a palavra como se tivesse um gosto amargo na sua língua. -O CEO mais implacável de Manhattan, conhecido por acabar com reputações e empresas sem pena alguma, está de repente desesperado para encontrar uma esposa? Acredito que existam agências luxuosas especializadas nisso, Sr. Sterling. O senhor pode encomendar uma modelo russa obediente por catálogo por um preço mais baixo do que a minha dívida.
O olhar de Arthur escureceu na mesma hora. Ele deu mais um passo à frente, acabando com o espaço pessoal entre eles. O calor do corpo grande dele emanava pelo tecido caro, e Elena teve que travar os joelhos com força para não dar meia volta e fugir. Ou, de se aproximar ainda mais. A contradição a enojou profundamente.
-As modelos russas não me servem no momento. Eu preciso de alguém com uma reputação impecável. Alguém cuja integridade moral e ficha limpa seja tão inquestionável que faria até a madre Teresa parecer cínica em comparação. Alguém que dirija, por exemplo, um abrigo para órfãos e que venha de uma família trabalhadora que foi tragicamente arruinada pelas circunstâncias. - Arthur bem perto dela. O olhar dele desceu para a boca entreaberta de Elena, demorando um pouco na curva dos seus lábios, antes de voltar aos seus olhos arregalados. -O meu conselho de acionistas está em pânico por causa dos recentes escândalos envolvendo a minha... vida noturna e meu desinteresse por raízes familiares. Eles exigem estabilidade. Uma imagem pública de um homem de família para aprovarem a fusão com o conglomerado europeu na próxima primavera. Uma fusão de dez bilhões de dólares.
-E o senhor quer me comprar para ser o seu escudo de relações públicas. -O sussurro de Elena saiu áspero. A proximidade dele estava a desestabilizando. Ela conseguia ver as pequenas manchas prateadas nas íris dele, a linha e inegavelmente perfeita de sua mandíbula.
-É um contrato de prestação de serviços rigoroso, Srta. Rostova. Doze meses exatos. Moraremos juntos na minha cobertura, iremos a eventos de gala de mãos dadas, sorriremos de forma apaixonada para as câmeras, e você fingirá que eu sou o homem dos seus sonhos românticos. Em troca, eu quito a dívida de dois milhões do seu adorável abrigo. Ao final de um ano, nós nos divorciamos, alegando diferenças, e você recebe mais um milhão limpo pelo incômodo.
-E se eu apenas disser não? -Ela o desafiou, levantando o queixo quase tocando o peito de Arthur. A audácia cega era o seu único escudo contra a presença opressiva do CEO.
Um sorriso afiado curvou os lábios do bilionário. Ele levantou a mão direita. O gesto foi tão lento que Elena prendeu a respiração, seus pulmões queimando. Os dedos dele roçaram a lateral do rosto dela, afastando um fio rebelde de cabelo castanho que tinha escapado do coque. O toque foi leve, mas queimou a pele de Elena. Ela estremeceu visivelmente. Um arrepio desceu por sua espinha, e os olhos de Arthur capturaram a reação do corpo dela com satisfação.
-Se você disser não, -ele murmurou, a voz rouca dele vibrando contra a pele do rosto dela, - amanhã de manhã, pontualmente às oito horas, as escavadeiras vão estar demolindo as paredes do seu precioso abrigo para dar lugar a um novo complexo de apartamentos de luxo. A escolha, como sempre em uma democracia, é apenas sua, Elena.
Ele usou o primeiro nome dela. A intimidade misturada com ameaça provocou um choque de adrenalina no sangue da arquiteta. Ela recuou de uma vez dois passos, acabando o contato físico como se tivesse levado um choque, sentindo a humilhação e os pulmões implorarem por ar que não estivesse impregnado com o perfume dele.
-O senhor é um monstro sem alma. -As palavras saíram carregadas de ódio.
-Eu sou prático. -Arthur deu as costas para ela. A aura de tensão sexual evaporou do ar tão rápido quanto surgiu, substituída pela frieza o fez reinar como o rei de Wall Street. Ele caminhou de volta para a sua mesa. -Monstros psicopatas matam por prazer. Eu destruo apenas por negócios. A menos, é claro, que a peça no meu tabuleiro de xadrez seja mais útil viva e cooperando. E neste exato momento, você é útil para mim.
Elena olhou desesperada ao seu redor. Ela pensou nas crianças que riam no pátio do abrigo. Pensou em sua mãe, que estava frágil e doente demais para suportar um despejo humilhante. Ela olhou de volta para o homem que exigia comprar a sua liberdade com a mesma apatia com que comprava ações preferenciais na bolsa de valores.
Arthur abriu a gaveta da mesa. Ele tirou uma luxuosa pasta de couro e a jogou com força na mesa. O som pasta batendo ecoou no escritório silencioso como a batida do martelo de um juiz proferindo uma sentença. Ele abriu a capa revelando páginas e páginas de um documento carimbado com selos jurídicos.
Por fim, sem quebrar o contato visual com ela, ele puxou do bolso interno do paletó uma caneta-tinteiro de ouro. Ele a destampou e a colocou ao lado da última página do documento, onde tinha uma linha pontilhada em branco.







