Mundo ficciónIniciar sesiónResumo do livro Lucas Monteiro é um CEO acostumado a controlar tudo em sua vida. Depois de descobrir Alice, sua noiva de quase cinco anos, traindo-o com o jardineiro, ele fecha o coração e decide nunca mais amar. Meses depois, durante uma viagem ao interior, conhece Teresa Silva, uma jovem simples, batalhadora e mãe dos gêmeos Matheus e Maria. Teresa carrega as marcas de uma vida difícil, mas mantém a força e a esperança de construir um futuro melhor para os filhos. Aos poucos, Lucas se encanta por sua coragem, carinho e sinceridade, enquanto Teresa descobre que por trás do homem poderoso existe alguém ferido e disposto a protegê-la. Porém, o passado não desaparece facilmente. Alice volta para tentar recuperar Lucas e passa a ameaçar Teresa e as crianças. Entre desafios, ciúmes, descobertas, gravidez e conflitos familiares, Lucas e Teresa precisam provar que o amor pode nascer novamente, mesmo depois da traição.
Leer másLucas Monteiro era um homem acostumado a tomar decisões importantes.
Como CEO de uma empresa que crescera rapidamente sob sua administração, estava habituado a reuniões difíceis, contratos milionários e negociações que poderiam mudar o rumo de grandes projetos. Ainda assim, havia uma coisa que não conseguia controlar: o próprio coração.
Aos olhos de quem o conhecia apenas pelos negócios, Lucas poderia parecer um homem frio e distante. Na realidade, era exatamente o contrário. Gentil, educado e compreensivo, fazia questão de tratar todos com respeito, independentemente da posição que ocupassem.
O dinheiro nunca foi motivo para se sentir superior a ninguém.
Talvez por isso tenha se apaixonado tão profundamente por Alice Mendes.
Os dois estavam juntos havia quase cinco anos. Quando se conheceram, Alice era uma mulher que parecia combinar perfeitamente com aquilo que Lucas procurava. Bonita, elegante, inteligente e pertencente a uma família tradicional, ela sabia circular entre pessoas importantes sem demonstrar insegurança.
Lucas acreditou ter encontrado a companheira ideal.Nos primeiros anos, tudo parecia perfeito.
Os dois viajavam, jantavam juntos, frequentavam eventos e passavam os finais de semana entre as duas famílias. Lucas gostava de surpreendê-la com flores, presentes e pequenos gestos que demonstravam o quanto ela era importante.
Alice sabia que ele a amava.E, durante muito tempo, pareceu corresponder.Entretanto, nos últimos meses, algo havia mudado.
Alice começara a demonstrar uma personalidade que Lucas ainda não conseguia enxergar completamente. Tornava-se impaciente, exigente e arrogante, principalmente quando estava longe dele.
Quando Lucas estava em casa, ela mantinha a aparência de mulher educada diante dos funcionários da mansão. Bastava ele viajar para que sua verdadeira personalidade aparecesse.
Naquela manhã, por exemplo, uma funcionária entrou no quarto carregando algumas roupas.
— Senhora Alice, onde deseja que eu coloque estas peças?
Alice continuou olhando para o celular.
— No meu closet.
— Certo. E as outras roupas que estão na lavanderia?
Alice levantou os olhos lentamente.
— Você precisa mesmo perguntar tudo?
A funcionária ficou sem graça.
— Desculpe, senhora.
— Apenas faça seu trabalho. Não tenho tempo para explicar coisas tão simples.
— Sim, senhora.
A mulher saiu cabisbaixa,Alice voltou ao celular como se nada tivesse acontecido.
Aquele tipo de comportamento havia se tornado frequente.Mesmo assim, Lucas não sabia.
Ou talvez não quisesse saber.Ele estava viajando naquele momento, participando de reuniões importantes fora do país. Como sempre, ligava para Alice todos os dias.
Naquela noite, o telefone tocou.
Alice sorriu ao ver o nome de Lucas na tela.
— Oi, meu amor.
— Oi, Alice. Como você está?
— Estou bem. E você?
— Cansado, mas feliz. A reunião de hoje foi muito boa.
— Que bom.
Lucas se sentou na varanda do hotel.
— Estou com saudade.
Alice sorriu.
— Eu também.
— Quero voltar logo.
— Você disse que ficaria mais alguns dias.
— Talvez consiga antecipar meu retorno.
Alice ficou em silêncio por alguns segundos.
— Já?
Lucas franziu levemente a testa.
— Sim. Você não ficou feliz?
— Claro que fiquei. Só achei que ainda demoraria.
Lucas sorriu.
— Quero aproveitar cada minuto que puder com você.
Alice mudou de assunto.
— Como estão as coisas por aí?
— Corridas, mas tudo está indo bem.
Ele não contou que já havia começado a pensar em algo muito maior ele visitou uma joalheria que havia visitado dias antes e que estava pesquisando anéis.Não contou que imaginava uma vida ao lado dela.Lucas queria fazer uma surpresa.
Depois de quase cinco anos juntos, acreditava que estava na hora de transformar o namoro em casamento.
Para ele, Alice era a mulher com quem queria construir uma família.
A conversa terminou depois de alguns minutos.
— Eu te amo — disse Lucas.
— Também te amo.
A ligação foi encerrada.
Alice colocou o celular sobre a mesa e suspirou.
Uma amiga que estava sentada no outro lado da sala perguntou:
— Era o Lucas?
— Era.
— Ele volta quando?
— Talvez amanhã.
A amiga sorriu.
— Vocês ainda estão juntos depois de tantos anos. Impressionante.
Alice deu um sorriso discreto.
— Lucas não vai me deixar.
— Você tem tanta certeza?
Alice se levantou.
— Tenho.
Ela caminhou até o espelho.
— Ele é completamente apaixonado por mim.
A amiga ficou em silêncio.
Alice ajeitou os cabelos.
— E homens como Lucas não encontram facilmente uma mulher como eu.
Naquele momento, ela tinha certeza de que controlava o futuro.
Não sabia que a própria arrogância estava prestes a destruir tudo.
No dia seguinte, Lucas encerrou a última reunião antes do previsto.
Romeu Tavares, seu melhor amigo e parceiro em alguns negócios, percebeu a ansiedade do amigo.
— Você está olhando para o relógio desde que chegou.
Lucas riu.
— Quero voltar para casa.
— Por causa da empresa?
— Por causa da Alice.
Romeu balançou a cabeça.
— Você ainda está apaixonado como no primeiro ano.
— Mais do que no primeiro.
— Então quando vai tomar coragem?
Lucas fingiu não entender.
— Coragem para quê?
— Você sabe.
Romeu apontou para a mala.
— Para tirar aquela pequena caixa de dentro dela.
Lucas ficou surpreso.
— Como descobriu?
— Você não sabe esconder nada de mim.
Lucas sorriu.
Tocou discretamente o bolso interno da mala.
— Quero fazer tudo direito.
— Ela vai aceitar.
Lucas olhou para o amigo.
— Espero que sim.
Romeu riu.
— Depois de quase cinco anos, se ela disser não, eu mesmo vou conversar com ela.
Lucas também riu.
Mas, naquele momento, ninguém poderia imaginar que aquela caixa carregava um sonho prestes a ser destruído.
O avião partiria naquela mesma noite.
Lucas acreditava estar voltando para casa para começar uma nova fase da vida.
Não sabia que estava indo ao encontro do pior momento de sua história.
E, enquanto o avião decolava, ele fechou os olhos com um sorriso.
No bolso, o anel de noivado esperava pelo momento em que seria colocado no dedo de Alice.
Lucas ainda acreditava que aquele pequeno objeto representava o futuro.
Mal sabia que, dentro de poucas horas, ele seria usado para selar o fim de uma história de quase cinco anos.
O sábado chegou trazendo um movimento diferente ao povoado.Desde o começo da tarde, a praça estava sendo preparada para a festa daquela noite. Algumas mesas foram espalhadas pelo local, barracas de comida começaram a ser montadas e pequenas lâmpadas foram penduradas entre as árvores.Uma banda da região se apresentaria naquela noite, e a notícia havia se espalhado pelos povoados próximos. Pessoas de outras localidades começaram a chegar no fim da tarde, algumas em carros, outras em motos e até em pequenos grupos que vinham caminhando.Para os moradores, era uma noite especial.Para Lucas, seria apenas mais uma noite de trabalho.Ele estava na pousada, sentado diante do notebook, quando Antônio apareceu.— Lucas, você vai à praça hoje?Lucas nem levantou os olhos.— Não.— A banda vai tocar.— Melhor ainda para quem gosta de música.Antônio cruzou os braços.— Você está aqui há dias e praticamente só conhece a pousada, as obras e o restaurante.— Vim trabalhar.— Também pode trabalhar
Romeu precisou retornar à capital para resolver alguns assuntos relacionados à empresa. Antes de partir, deixou claro que voltaria assim que terminasse o que precisava fazer.— Não vou demorar — garantiu Romeu, colocando a mala no porta-malas.Lucas cruzou os braços.— Espero que não.— Por quê? Vai sentir minha falta?— Não. Vou sentir falta de alguém para me irritar.Romeu riu.— Isso significa que vai sentir minha falta.— Vá logo antes que eu mude de ideia sobre deixar você voltar.— Cuide das obras.— Pode deixar. Um motorista veio buscar ele, pois Lucas não poderia ficar sem carro por muitos dias, Romeu entrou no carro e partiu, deixando Lucas novamente sozinho na pousada.Os dias seguintes foram de muito trabalho.As obras avançavam rapidamente. Caminhões chegavam trazendo materiais, os engenheiros acompanhavam cada etapa e os moradores começavam a se acostumar com a movimentação que havia tomado conta do povoado.Lucas fazia questão de acompanhar tudo pessoalmente.Na escola
Alguns dias se passaram desde a primeira reunião com os moradores. O trabalho tinha começado a ganhar ritmo. As primeiras equipes estavam sendo organizadas, os engenheiros mantinham contato constante com Antônio e os responsáveis pelo projeto já preparavam a chegada das máquinas.Lucas precisou retornar à capital para resolver alguns documentos importantes.Na manhã de sua partida, deixou claro a Romeu que voltaria o mais rápido possível.— Tenho alguns contratos para assinar e reuniões que não podem esperar.Romeu assentiu.— Resolva tudo e volte.— É o que pretendo.Lucas entrou no carro e seguiu viagem.A ida e a volta foram tranquilas. Em poucas horas, ele conseguiu resolver tudo o que precisava e retornou ao povoado.Mas havia uma diferença evidente nele,Lucas parecia ainda mais fechado.Não procurava companhia.Não demonstrava interesse pelas mulheres que eventualmente tentavam conversar com ele.Na verdade, fazia questão de deixar claro que não queria nenhum tipo de envolvimento
O caminho de volta do lago foi mais rápido do que a ida. Antônio seguia à frente, enquanto Lucas e Romeu vinham logo atrás, desviando das partes mais enlameadas da trilha. O sol começava a baixar quando finalmente deixaram as árvores para trás e chegaram à estrada que levava ao povoado.— Ainda bem que ninguém viu meus sapatos — reclamou Romeu, olhando para eles.Antônio riu.— Isso é o de menos. Quando chegar a época das chuvas, vocês vão descobrir o que é lama de verdade.— Prefiro não descobrir.Lucas soltou uma risada.— Você nasceu rico demais, Romeu.— E você também.— Mas eu não reclamo tanto.— Porque seus sapatos não estão cobertos de barro.Os três continuaram caminhando até que Antônio avistou alguém vindo pela estrada.Era Teresa.Ela caminhava depressa, carregando uma pequena cesta no braço. O avental que usara no restaurante estava dobrado sobre o outro braço, e os cabelos, presos durante o trabalho, agora estavam soltos sobre os ombros.Lucas a reconheceu imediatamente.





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