Mundo ficciónIniciar sesiónValentina Amaral é o segredo mais obscuro do homem que comanda esta cidade. E ele é o pai da sua melhor amiga. Henrique Fontes é um magnata implacável, frio e vinte anos mais velho. Um homem perigoso, acostumado a ter tudo o que deseja. E, agora, o que ele quer é ela. Para a alta sociedade, Valentina é apenas a garota ingênua que cresceu na mansão Fontes. Para Henrique, porém, ela se tornou uma obsessão proibida que ele tentou sufocar durante anos. Ainda assim, a barreira da moralidade racha em uma noite de tempestade, a portas fechadas no escritório dele. Um toque intencional na coxa desnuda, o cheiro de uísque, uma ordem sussurrada contra sua boca... e a perda completa da razão. Agora, eles vivem um caso secreto, visceral e proibido. Henrique quer dominá-la. E ela está viciada no perigo do seu toque. Entre encontros escondidos e promessas sussurradas na escuridão, Valentina está se entregando ao único homem capaz de destruí-la. Mas, quando Lucas Alencar deixa de ser apenas uma ameaça ao domínio de Henrique e passa a disputar o coração de Valentina à luz do dia, oferecendo-lhe aquilo que o magnata jamais poderia assumir publicamente, uma escolha se torna inevitável. Entre o homem que precisa escondê-la e aquele que está disposto a reivindicá-la, até onde Valentina será capaz de ir para proteger o segredo que pode destruir os três?
Leer másA chuva contra a janela do escritório parecia ditar o ritmo descontrolado do meu coração. Eu não deveria estar ali. Muito menos usando um vestido que subia a cada passo e deixava minhas pernas completamente expostas. Mas Laura, minha melhor amiga desde a infância, tinha se esquecido de pegar a chave da casa de praia e me implorou para passar na empresa do pai dela para buscar.
"É só entrar, pegar a chave na mesa dele e sair, Valentina. Meu pai nem vai perceber", ela disse no telefone. Ela só esqueceu de mencionar que ele estaria lá. A porta de carvalho maciço estava entreaberta. Quando dei um passo para dentro, o cheiro amadeirado, couro e sabonete caro me atingiu imediatamente. Henrique Fontes estava de costas para a porta, sem paletó, com as mangas da camisa social branca dobradas até os cotovelos. Os ombros largos e a postura imponente faziam qualquer sala parecer pequena demais para ele. Henrique tinha quarenta e dois anos, o controle de um império bilionário nas mãos e um olhar que arrepiava até a última célula do meu corpo. Ele era o pai da minha melhor amiga. E o homem que estrelava meus piores e melhores pensamentos secretos desde os meus dezoito anos. — A chave está na gaveta da esquerda, Valentina — a voz dele ecoou, grave e aveludada, sem que ele ao menos se virasse. Travei no lugar. Minha respiração falhou. — Eu... me desculpe, Henrique. A Laura disse que você não estaria. Ele finalmente se virou. O olhar escuro de Henrique varreu meu corpo lentamente, descendo do meu rosto até a barra do meu vestido vermelho, detendo-se por segundos dolorosos na minha coxa desnudada. O ar no escritório pareceu sumir. Não havia nada de paternal na forma como ele me olhava. Era o olhar de um predador. — Você tem vinte e um anos agora, não tem? — ele perguntou, dando um passo lento em minha direção. Os sapatos de couro estalavam no piso de madeira. — Já passou da hora de parar de me olhar como se eu fosse um estranho. — Henrique... — meu tom saiu quase como um sussurro. Dar um passo para trás seria o sensato, mas meus pés pareciam colados ao chão. Ele parou a centímetros de mim. O calor que emanava do corpo dele era avassalador. Podia sentir o perfume dele misturado ao cheiro da chuva do lado de fora. Henrique ergueu a mão devagar, os dedos roçando suavemente a curva do meu pescoço. O toque da pele quente dele fez um arrepio violento descer pela minha espinha. Minha respiração engatou, e meus lábios se entreabriram involuntariamente. Ele inclinou a cabeça, a boca roçando a minha orelha enquanto sua mão descia suavemente até minha cintura, apertando o tecido fino do meu vestido. — Você não deveria estar aqui vestida assim, garota — ele sussurrou, a voz rouca, cheia de uma promessa perigosa. — Principalmente sabendo que sou um homem com pouca paciência. — Eu só vim buscar a chave... — tentei dizer, mas a proximidade dele destruía qualquer resquício de lógica que me restava. Minhas mãos, por puro instinto, apoiaram-se no peito firme dele, sentindo o bater pesado do seu coração. — A chave está bem aqui — Henrique murmurou, baixando a cabeça até que seus lábios quase tocassem os meus. O hálito quente de uísque e menta me enlouqueceu. — Mas nós dois sabemos que não é por causa de uma chave que você está tremendo assim na minha frente. Antes que eu pudesse responder, o som alto do meu celular tocando dentro da bolsa cortou o silêncio do ambiente como uma lâmina. O nome de Laura piscou na tela iluminada. Henrique não se afastou. Ele apenas olhou para o meu celular e depois voltou os olhos para os meus, com um sorriso sombrio e provocante no canto dos lábios. Ele deslizou a mão pela minha coxa, erguendo a barra do meu vestido alguns centímetros a mais, enquanto o celular continuava tocando na minha mão. — Atenda, Valentina — ele sussurrou contra a minha boca, sem desviar o olhar. — Vamos ver se você consegue falar com a sua melhor amiga enquanto eu seguro você assim.— Uma conversa estranha? — perguntei, o tom saindo um pouco mais agudo do que eu gostaria. — Sobre o quê? — Eles estavam discutindo sobre um acordo — Laura me encarou, os olhos cheios de dúvida. — Um acordo que eles têm no casamento. Eles falavam sobre termos, sobre limites, sobre manter as aparências para a sociedade enquanto cada um vive a sua vida. Eu fiquei em choque, Valentina. Eu saí de lá sem saber o que fazer, sem saber se entrava na sala e perguntava para a minha mãe ou se cobrava uma explicação direta do meu pai. Fiquei estática. O ar parecia ter sido completamente sugado do apartamento. Meu coração martelava contra as costelas de um jeito tão violento que tive certeza de que Laura podia ouvir. Eu já sabia que Henrique e a esposa tinham um acordo, um casamento de fachada, mas a imagem de Laura, a minha melhor amiga, desesperada ao descobrir a podridão por trás da família perfeita, me puxou de volta para a realidade. — Laura... calma — forcei a minha voz a sair, tentando
Sustentei o olhar de Laura por alguns segundos antes de tomar um gole da minha água, tentando fazer com que o vidro frio contra a minha mão diminuísse a agitação do meu peito. Eu precisava parecer convicta, como uma mulher que dominava cada peça do próprio tabuleiro. — Eu conheço ele, Laura — respondi, tentando manter a voz perfeitamente calibrada. — E ele está cumprindo a parte dele do combinado. Na verdade, rigorosamente. Laura arqueou a sobrancelha, ainda cética, me pressionando com a atenção total que só uma melhor amiga sabe impor. — Cumprindo como? — ela questionou. — Hoje mesmo nós nos encontramos — desabafei, sentindo uma ponta daquela amargura retornar à minha garganta. — Eu saí para jantar com o Lucas e, por coincidência, ele apareceu no mesmo restaurante. Estava acompanhado de uma mulher deslumbrante... Uma executiva. Engoli em seco, lembrando da cena que quase fez o meu autocontrole ruir na frente de todos. — E o que ele fez? — Laura deu um passo à frente, os olhos b
O motor do carro de Lucas desligou assim que ele estacionou em frente ao meu prédio. O silêncio do veículo foi preenchido pela iluminação fraca dos postes da rua, criando uma atmosfera calma e intimista. Lucas virou-se no banco do motorista, e o seu olhar suave pousou no meu rosto. Ele se aproximou devagar e me puxou para um beijo macio, que rapidamente ganhou urgência. As mãos dele subiram para a minha nuca, e a minha respiração pesada começou a acompanhar a dele, preenchendo o espaço reduzido da cabine. O clima esquentava a cada segundo até que duas batidas secas e firmes no meu vidro me fizeram afastar num sobressalto impulsionado pelo pânico. Ajeitei a minha roupa às pressas e olhei para fora. A figura de Laura, minha melhor amiga e filha de Henrique, estava parada na calçada, encarando o interior do carro com os braços cruzados e uma expressão de urgência. — Laura? O que aconteceu? O que ela está fazendo aqui? — murmurei para Lucas, sinto a minha voz falhar ligeiramente de sus
Durante o restante do jantar, cada risada da executiva na mesa de Henrique parecia ressoar diretamente nos meus ouvidos. A mulher não fazia o menor esforço para esconder o interesse; inclinava-se na direção dele, tocava seu braço com leveza ao enfatizar um ponto e mantinha um olhar fixo e sugestivo. E Henrique não recuava. Ele mantinha a postura charmosa e atenciosa, sorrindo de canto e retribuindo a proximidade com uma desenvoltura que fez meu estômago dar um nó apertado. Por volta das dez horas, os investidores se despediram e deixaram o local. Sobraram apenas Henrique e a mulher. Ele fez um sinal discreto para o garçom e pediu mais uma rodada de drinks para os dois, demonstrando que a noite deles estava longe de acabar. A cena tornou-se insuportável. Senti uma onda de calor subir pelo meu pescoço, o ar ficando escasso. — Lucas... você importaria se nós fôssemos embora? — pedi, tentando manter o tom de voz controlado, embora minhas mãos estivessem gélidas. Lucas pareceu surpreso





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