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Capítulo 2 — O Pedido que Nunca Aconteceria

O avião pousou na capital no início da tarde.

Lucas Monteiro saiu do aeroporto cansado, mas com um sorriso no rosto. Depois de tantos dias longe, tudo o que queria era encontrar Alice.

O motorista já o esperava.

— Para casa, senhor Lucas?

Lucas entrou no carro.

— Primeiro vamos ao escritório.

— Sim, senhor.

Durante o trajeto, Lucas pegou o telefone.

Precisava fazer uma ligação antes de encontrar Alice.

Procurou o número do pai dela e chamou.

— Lucas! Você já voltou?

— Acabei de chegar.

— Sua viagem terminou antes do previsto?

— Sim. E preciso conversar com o senhor.

— Aconteceu alguma coisa?

Lucas sorriu.

— Aconteceu. Mas é uma coisa boa.

O homem ficou curioso.

— O que foi?

— Quero pedir Alice em casamento.

Do outro lado, houve alguns segundos de silêncio.

Depois, o pai dela soltou uma risada emocionada.

— Finalmente!

Lucas riu.

— Eu estava esperando o momento certo.

— Minha esposa vai ficar muito feliz.

— Quero fazer uma surpresa para Alice. Pensei em organizar um jantar hoje à noite.

— Pode deixar conosco. Nós vamos organizar tudo.

— Quero alguns familiares e amigos próximos.

— Será feito.

— Mas, por favor, não contem nada a ela.

— Não vamos contar.

Lucas respirou aliviado.

— Obrigado. Quero que seja uma noite inesquecível.

— Será.

Depois de desligar, Lucas ficou olhando pela janela.Em sua cabeça, já imaginava o momento. Ele e Alice chegando ao restaurante.

Os convidados reunidos.

Ele se levantando.

O anel, o pedido e o abraço.

Talvez algumas lágrimas e a felicidade que imaginava que compartilhariam.

Tudo parecia perfeito.

Enquanto isso, os pais de Alice começaram a organizar o jantar.

O restaurante foi reservado.Os convidados receberam as orientações.Ninguém deveria mencionar o motivo daquela reunião.Lucas chegaria mais tarde.Tudo estava sendo preparado em segredo.

Na mansão dos Mendes, Alice continuava sem desconfiar de nada.

Ela acreditava que Lucas chegaria apenas para descansar depois da viagem.

Não imaginava que ele estava prestes a pedir sua mão.

No final da tarde, Lucas deixou o escritório.Antes de seguir para o restaurante, tomou uma decisão.Queria surpreender Alice pessoalmente.

Passaria na mansão.

Levaria flores.Depois iria com ela para o jantar.

O buquê estava no banco ao lado do motorista e o anel estava no bolso interno do paletó.Lucas sorriu sozinho.Estava nervoso.

Pela primeira vez em muitos anos, uma decisão profissional parecia muito mais fácil do que aquela.Quando chegou à mansão, deixou o carro estacionado em frente à propriedade.

O segurança abriu o portão.

— Boa tarde, senhor Lucas.

— Boa tarde. Alice está em casa?

— Acredito que sim, senhor.

— Obrigado.

Lucas entrou.

O jardim privado estava silencioso.Ele caminhou até a porta principal e entrou sem anunciar sua presença.Conhecia a casa, corredores e o quarto de Alice.Subiu as escadas.

A casa permanecia silenciosa.Lucas segurou o buquê.O coração batia mais rápido.

Chegou diante da porta, sorriu. Levantou a mão e girou a maçaneta.Abriu a porta e  parou.

O sorriso desapareceu, o mundo pareceu perder o som, Alice estava na cama, nua nos braços de outro homem, Lucas conhecia aquele homem.

Era o jardineiro da família.Durante alguns segundos, ninguém se mexeu.

Alice arregalou os olhos.

— Lucas.

Ele permaneceu parado.

O buquê escorregou de sua mão e caiu no chão, o homem ao lado de Alice levantou-se rapidamente, Lucas olhou para os dois, depois para a cama e depois para o homem.

Seu rosto perdeu completamente a cor, Alice puxou o lençol para cobrir o corpo.

— Lucas, espera.

Ele não respondeu.

— Não é o que você está pensando.

Lucas finalmente soltou uma pequena risada.

Era uma risada sem alegria.

— Não é?

Alice desceu da cama.

— Eu posso explicar.

Lucas colocou a mão no bolso e retirou a pequena caixa e abriu o anel estava ali brilhando,Alice olhou para ele.

Seu rosto mudou.

— Lucas.

Ele segurou a caixa por alguns segundos.

— Eu estava voltando para casa para pedir você em casamento.

Alice começou a chorar.

— Me escuta.

Lucas deu um passo para trás.

— Eu liguei para seus pais.

— Lucas, por favor.

— Organizei um jantar.

A voz dele começou a falhar.

— Com nossos amigos. Com nossa família.

Ele olhou para o anel.

— Eu passei quase cinco anos acreditando que você era a mulher da minha vida.

Alice tentou se aproximar.

— Eu amo você.

Lucas levantou a mão.

— Não.

Ela parou.

Lucas jogou a pequena caixa sobre a cama o anel caiu entre os lençóis.

Depois pegou o buquê do chão e colocou ao lado.

— Fique com os dois.

— Lucas!

Ele se virou.

Alice correu atrás dele.

— Espera!

Lucas atravessou o corredor.

— Lucas, por favor!

Ele continuou descendo as escadas.

— Eu posso explicar!

Ele abriu a porta principal.

Alice apareceu atrás dele.

— Lucas!

Ele não olhou para trás Atravessou o jardim saiu e entrou no carro.

Ligou o motor.

Alice correu até a frente da mansão.

— Lucas, não faça isso!

Ele arrancou.Não olhou para trás uma única vez.

O restaurante estava cheio, os pais de Alice estavam sorrindo.

Os convidados conversavam animadamente.Romeu também estava presente.

Todos esperavam pelo momento em que Lucas faria o pedido.

Quando o carro de Lucas apareceu, o pai de Alice levantou-se imediatamente.

— Ele chegou.

Mas, assim que Lucas entrou, o sorriso desapareceu do rosto do homem.

Lucas estava pálido, não carregava flores, nem trazia o sorriso de quem acabara de realizar um sonho.

Romeu percebeu primeiro.

Levantou-se.

— Lucas?

Ele parou diante da mesa, todos ficaram em silêncio.

O pai de Alice se aproximou.

— Filho, o que aconteceu?

Lucas olhou para ele e depois para a mãe de Alice, por fim, olhou para os convidados.

Respirou fundo.

— Eu preciso pedir desculpas a todos vocês.

A mãe de Alice sentiu o coração apertar.

— Lucas.

Ele engoliu em seco.

— Esta noite não haverá pedido de casamento.

Ninguém entendeu.

— Por quê? — perguntou o pai de Alice.

Lucas fechou os olhos por um instante.

Quando os abriu, havia apenas dor.

— Porque encontrei sua filha na cama com outro homem.

O restaurante inteiro ficou em silêncio.

Lucas continuou:

— E o homem era o jardineiro.

A mãe de Alice levou a mão à boca, o pai dela ficou imóvel.

Romeu olhou para o amigo, sem conseguir acreditar.

Lucas respirou fundo.

— Não haverá noivado.

Fez uma pausa.

— E muito menos casamento.

Então se virou para sair.

Mas, antes que chegasse à porta, ouviu a voz do pai de Alice atrás dele.

— Lucas... espere.

Ele parou.

Sem se virar, respondeu:

— Não existe mais nada para esperar.

E saiu.

Naquela noite, diante de todos, o amor de quase cinco anos chegava ao fim.

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