A Inocente

A Inocente PT

Romance
Última actualización: 2026-08-10
Liliane  Recién actualizado
goodnovel18goodnovel
0
Reseñas insuficientes
7Capítulos
5leídos
Leer
Añadido
Resumen
Índice

O som distante de caixas de papelão sendo arrastadas no corredor do quarto andar era o único ruído que quebrava o silêncio daquela noite abafada. Eu não deveria estar olhando. Não era do meu feitio ser o vizinho intrometido, o cara que espia pela fresta da cortina. Mas, a partir do momento em que pus os olhos na nova moradora do apartamento da frente, qualquer traço do meu autocontrole simplesmente ruiu. Ela parecia jovem demais. Doce demais. Uma tentação perigosa enrolada em um pvestido leve de algodão que colava em suas curvas a cada movimento. Havia uma inocência quase acidental na forma como ela prendia o cabelo escuro no alto da cabeça, deixando a nuca exposta, enquanto tentava equilibrar mais uma caixa pesada. Eu tinha trinta e oito anos. Um homem feito, moldado pelo cinismo, com a vida perfeitamente sob controle e um império para gerenciar. Ela? Não devia ter mais do que vinte e poucos. Dez anos — ou talvez mais — nos separavam. Uma eternidade. Um abismo moral que eu deveria respeitar. Mas quando ela parou na porta do próprio apartamento, encarando a chave que insistia em emperrar, e soltou um suspiro frustrado, algo dentro de mim rugiu. O calor da noite não era nada comparado ao fogo repentino que se acendeu no meu peito. Fiquei observando a respiração dela descompassar, o subir e descer ritmado do seu peito sob o tecido fino. Minhas mãos coçaram para ir até lá. Para puxar aquela chave dos seus dedos delicados, encostar meu corpo quente atrás do dela e murmurar contra a sua orelha o quanto ela estava vulnerável ali fora. Ela olhou para os lados, como se sentisse o peso do meu olhar sobre a pele. Por um segundo aterrorizante — e absurdamente fascinante —, nossos olhos quase se cruzaram

Leer más

Capítulo 1

Capítulo 1

Se todos os dias fossem assim, banhados por essa paz silenciosa e calculada… bem, nem pareceria a minha vida.

Olho para o copo de cristal na minha mão, o uísque dourado refletindo a luz suave do entardecer que invade a cobertura onde estou. O silêncio aqui em cima é quase desconfortável. Para um homem como eu, o silêncio não é descanso; é o prenúncio de uma tempestade ou o aviso de que alguém, em algum lugar, está prestes a cometer um erro terrível. E, na maioria das vezes, esse alguém tem o meu sangue.

Prazer, me chamo Dhehanks Dhabajhu.

O nome entrega a origem, eu sei. Minha família carrega as raízes profundas e intensas da Turquia, com tradições antiquadas que nunca combinaram muito comigo. Apesar da ascendência, a verdade é que desde que me conheço por gente o meu chão é o Brasil. Aprendi a transitar entre o exotismo do meu sobrenome e a ginga brasileira com uma facilidade quase perigosa. Tenho 33 anos, uma conta bancária com mais zeros do que a maioria das pessoas consegue contar sem se perder e uma vida que é um verdadeiro caos sob medida.

E quer saber de um segredo? Minha vida só é conturbada porque eu quero. Eu gosto. Pra ser bem sincero, a calmaria me dá tédio, e o tédio é o meu maior inimigo.

Há quem diga que acumular fortunas é uma busca por estabilidade. Para mim, a riqueza é só o combustível que mantém o motor da minha adrenalina funcionando. Viver, no meu dicionário, é um hobby caro e fascinante. Gosto da agitação, do barulho das grandes cidades, dos problemas aparentemente insolúveis e, acima de tudo, da sensação inebriante de ser a única pessoa capaz de resolver o que ninguém mais consegue. Eu sou o cara que entra em uma sala em chamas apenas pelo prazer de apagar o fogo e sair sem um único arranhão no terno.

E não posso negar: a moldura ajuda bastante o quadro. Tenho porte físico robusto, resultado de disciplina rigorosa e treinos diários — corpo musculoso, pele morena queimada pelo sol do tropicalismo que adotei, cabelo sempre em um corte social impecável e um sorriso que costuma abrir portas que o dinheiro às vezes demora a arrombar. Modéstia nunca foi meu forte, até porque prefiro a honestidade brutal. Sei o impacto que causo quando entro em qualquer lugar. O olhar das pessoas muda, a energia da sala pesa, e as atenções se voltam para mim como se eu fosse o centro de gravidade do ambiente.

Isso se aplica a tudo, especialmente às mulheres. Já tive mulheres de todos os tipos, jeitos, personalidades e sabores. Lindas, perigosas, fáceis, inalcançáveis. Mas se você está esperando a história de um canalha que se apaixonou e mudou de vida, pode ir tirando o cavalo da chuva. Me apegar de verdade a alguém é um fenómeno que simplesmente nunca aconteceu comigo. Houve algo na adolescência, claro — aquele draminha juvenil vago que todo mundo passa —, mas foi algo tão trivial, tão superficial, que nem sequer deixou cicatriz. O amor, para mim, é uma transação em que eu raramente aceito pagar o preço do meu controle.

Então, você deve estar se perguntando: no que um multimilionário de 33 anos, dono de si e sem amarras emocionais, gasta o seu tempo e o seu dinheiro?

A resposta é simples: bebedeiras lendárias nas melhores boates do mundo, festas exclusivas que duram dias, viagens luxuosas para destinos que a maioria das pessoas só vê em cartões-postais e... lidando com o meu irmão mais novo, Degudenh.

Ah, o Degudenh. Se a minha vida é um jogo de xadrez de alto risco, a dele é uma roleta-russa com o tambor cheio. Ele tem o talento nato para se enfiar em problemas fortíssimos. Não estou falando de multas de trânsito ou barracos em boates; estou falando de confusões gigantescas, perigosas e absurdamente complexas que, às vezes, nem mesmo eu, com todo o meu poder, dinheiro e contatos, sou capaz de arrumar de imediato. Ele é o meu ponto fraco, a minha maior dor de cabeça e, ironicamente, a minha maior fonte de entretenimento involuntário.

Coloco o copo de uísque sobre a mesa de centro de mármore e me aproximo da grande vidraça que dá para o horizonte da cidade. Os prédios começam a acender suas luzes, e o trânsito lá embaixo parece uma serpente iluminada se movendo devagar.

O telefone no meu bolso começa a vibrar. Não preciso nem olhar na tela para saber quem é. O momento de paz acabou, durou exatamente o tempo de eu me apresentar a você.

Sorrindo de canto, deslizo o dedo pela tela e atendo.

— Dhehanks... — a voz do outro lado vem afobada, com o som de frestas de vento e sirenes ao fundo. — Mano, eu juro que dessa vez não foi culpa minha. Mas você precisa vir aqui agora.

Aperto o celular contra a orelha, ajusto os punhos da minha camisa e dou uma última olhada para o meu reflexo no vidro. O jogo começou de novo.

— Fala logo o que você fez, Degudenh — respondo, com a voz calma, grave e o divertimento estampado no rosto. — E é bom que seja interessante.

Desplegar
Siguiente Capítulo
Descargar

Último capítulo

Más Capítulos

Nuevas novelas de lanzamiento

Último capítulo

No hay comentarios
7 chapters
Capítulo 1
Capítulo 2
Capitulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP