As horas antes do amanhecer carregam um tipo de silêncio que machuca. Não o silêncio natural das noites no campo, com seus grilos e o uivo do vento entre as árvores, mas um silêncio denso, como se o mundo prendesse a respiração em espera.
No hospital, Marta repousa em uma cama branca demais, fria demais, com a pequena Lua adormecida em seu colo. Seus olhos não se fecham por completo. Cada piscar é uma tentativa de escapar da dor, mas também um risco: e se, ao acordar, ela nunca mais encontrar