O isolamento no departamento de TI nunca pareceu tão punitivo quanto nos dias que se seguiram à ameaça de Marcos. Para Anne, cada notificação que piscava no monitor era um gatilho para o pânico, e cada passo dado no corredor parecia o prelúdio de uma execução pública. O peso do pendrive invisível que o colega carregava no bolso era uma âncora que a arrastava para o fundo de uma depressão técnica e emocional. Ela operava em modo de sobrevivência, um processamento mínimo de funções vitais que mal ocultava a devastação interna.
Quando Nicholas conseguiu, após três dias de silêncio absoluto por parte dela, encontrá-la em um café anônimo na periferia da Zona Sul — um lugar tão desprovido de glamour que as chances de serem reconhecidos eram quase nulas —, o encontro não teve o calor das reuniões anteriores.
— Temos que parar, Nicholas — Anne disse, sem sequer tocar na xícara de café à sua frente. Suas mãos estavam escondidas sob a mesa, apertando-se mutuamente até os nós dos dedos ficarem b