A manhã estava suspensa.
Nem clara, nem nublada. Um céu de algodão silencioso pairava sobre a Casa Entre, como se tudo estivesse em pausa — até mesmo o tempo.
Foi Joana quem ouviu primeiro: o portão chiou. Mas não como de costume. Chiou como se engasgasse, hesitante.
Sol largou as pedras que alinhava em espiral e correu até o portão. Helena, com as mãos ainda sujas de tinta, parou na soleira da casa. Mirna sentiu o vento mudar e sussurrou:
— Hoje chega gente com peso nos ombros.
Clarice surgiu