A manhã não se anunciava — apenas estava.
Um véu de névoa leve cobria o quintal, como quem vela um segredo. As folhas do ipê ainda dormiam. E os passos eram quase pedidos de licença.
Arthur acordou antes da chaleira, mas não saiu logo do quarto. Ficou ali, deitado, com os olhos abertos e as mãos sobre o peito, como se ouvisse um som que ainda não sabia decifrar. A camisa estava amassada. O relógio, esquecido sobre a cadeira.
Na cozinha, Mirna aquecia água. Não olhou quando ele chegou. Apenas pu